Eles pegavam sol, chuva, picadas de piuns e ficavam dias sem internet. São médicos cubanos que deixam de atender indígenas na Amazônia.
Dos 382 médicos que atuam na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), 301 são cubanos que participam do programa Mais Médicos e encerrarão atendimentos ainda este ano com o fim do convênio entre Brasil e Cuba.
O Amazonas perderá 78 profissionais e será o Estado mais prejudicado, seguido por Mato Grosso (35), Pará e Roraima, com 26 cada um.
Dsei Tapajós comenta: “Temos dez médicos cubano que cuidava dos indígenas Munduruku. Eles andavam debaixo de sol, de chuva todos os dias, picados por piuns, e sem internet, sentados nas voadeiras (lanchas) sem poder encostar as costas pra descansar”.
“Muitas vezes comeram a comida a que não estavam acostumados e faziam tudo com amor pelos pacientes. E agora que muitos vão embora, deixam para trás o que foi conquistado a maior: a amizade”, acrescenta.
Especialistas e representantes indígenas temem que sejam perdidos os avanços de atendimento realizados pelos médicos. As taxas de anemia materna entre os povos tradicionais são altas e a mortalidade infantil chega a ser até 20 maior do que entre as crianças não indígenas.
Dados da BBC Brasil apontam que as mortes das crianças indígenas de até 9 anos por desnutrição representaram 55% do total do País entre os anos de 2008 a 2014. O número é ainda mais impactante ao se considerar que os indígenas são apenas 0,4% da população.
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Com foto de Paula Basta