Janja é alvo de 74 requerimentos a mais que Michelle Bolsonaro



Juntas, elas motivaram 96 solicitações propostas por deputados federais na Câmara; 93 a mais que as 5 primeiras-damas anteriores

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A primeira-dama Janja Lula da Silva já é alvo de 74 requerimentos a mais do que Michelle Bolsonaro na Câmara. Juntas, elas motivaram 96 solicitações propostas por deputados federais.

De janeiro de 2023 até fevereiro de 2025, pouco menos de 2 anos para o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Janja foi alvo de 85 requerimentos protocolados na Câmara. 

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Deputados do PL são responsáveis por 54 desses requerimentos. Além de ser o maior partido da Câmara, é a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a principal legenda de oposição ao governo. 

O congressista que mais propôs solicitações à primeira-dama foi Evair Vieira de Melo (PP-ES). Ele é autor de 16 requerimentos e assinou 4 pedidos feitos em bloco pelo líder da Oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS).

O PP, partido de Melo, indicou André Fufuca para o Ministério dos Esportes. Há a possibilidade de que Lula dê mais um cargo para o partido na reforma ministerial que se encaminha, mas interlocutores da sigla veem cada vez menos chances para a nomeação.

O 1º requerimento contra Janja foi apresentado no dia 4 de fevereiro de 2023, com solicitação do deputado Luiz Lima (PL-RJ) à então ministra da Saúde, Nísia Trindade, sobre uma publicação no Instagram feita com colaboração da primeira-dama.

No Instagram, os usuários podem compartilhar um post juntos, de forma que a publicação apareça nos perfis de ambos. Nesse caso, o conteúdo recebe curtidas, visualizações e comentários dos seguidores dos 2 usuários.

Para o deputado, a colaboração do Ministério da Saúde com Janja no post sobre vacinação teve o objetivo de atrair seguidores do órgão para o perfil da primeira-dama.

O ministério respondeu que a iniciativa do post foi da assessoria de comunicação de Janja, que convidou o órgão para ser colaborador, no esquema permitido pelo Instagram.

“Nesse sentido, avaliado o teor do conteúdo, foi definido que a participação do Ministério da Saúde na ação seria razoável e vantajosa para disseminação da mensagem quanto à campanha de vacinação”, disse Victor de Melo Barbosa Leite, coordenador de imprensa do órgão, em ofício enviado à Câmara. Depois disso, o requerimento foi arquivado.

Dos pedidos que envolvem o nome de Janja, até fevereiro de 2025, 7 foram arquivados. A maior parte, 28, foram respondidos e aguardam envio para o arquivo.  

VIAGENS

O principal assunto dos requerimentos são as viagens da primeira-dama. A palavra “viagem” aparece na ementa, espécie de resumo do pedido, 21 vezes. Os 6 mais recentes são sobre a ida de Janja a Roma entre os dias 9 e 14 de fevereiro de 2025.

Apesar de não ter cargo no Governo, Janja representou o Brasil na 48ª Sessão do Conselho de Governança do Fida (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), vinculado à ONU (Organização das Nações Unidas), realizado em Roma. A viagem custou R$ 260 mil aos cofres públicos.

Em setembro de 2024, o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) apresentou requerimento para que o TCU (Tribunal de Contas da União) fizesse auditoria para verificar a utilização de recursos públicos na viagem da primeira-dama ao Qatar. 

Janja gastou mais de R$ 280 mil com seguranças no país, entre os dias 6 e 11 de setembro de 2024. Ela foi convidada pela sheika do Qatar, Moza bint Nasser al-Missned, uma das 3 mulheres do sheik Hamad bin Khalifa, e discursou no painel “Educação em Perigo: o custo humano da guerra”.

O requerimento de Kataguiri está na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. O andamento depende da instalação das comissões na Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve terminar de definir as presidências das comissões na semana desta 2ª feira (10.mar).

COMISSÕES

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle pediu informações sobre a viagem de Janja a Nova York, realizada de 9 a 16 de março de 2024, quando foi à 68ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher. A viagem custou R$ 43.449,53 e foi paga pelo Ministério das Mulheres. 

Na resposta enviada à Câmara, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, disse que Janja ficou hospedada na residência oficial do representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York e não recebeu diárias. 

“O Ministério das Mulheres custeou apenas a passagem e seguro viagem da primeira-dama, na condição de colaboradora eventual, não sendo responsável por custeio de outras despesas”, declarou no ofício encaminhado. Com a resposta enviada, o requerimento aguarda envio para o arquivo.

Ainda no 1º ano de mandato de Lula, em 2023, a mesma comissão pediu informações sobre a licitação feita em 2022, na época da transição do governo Bolsonaro para a gestão petista, para contratar serviço de hospedagem para o presidente e a primeira-dama.

O Governo respondeu com a íntegra da licitação. A justificativa foi de que Lula e Janja precisavam se hospedar em outro local no início do mandato porque o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto passariam por “adaptações” necessárias para aumentar a segurança. 

Foram gastos R$ 216,8 mil com a contratação do Hotel Meliá, na Asa Sul, em Brasília, onde ficaram desde o início da transição de governo, em 2022, até o dia 6 de fevereiro de 2023, quando se mudaram para o Palácio da Alvorada.

INFLUENCIADORES

A Comissão de Comunicação também é autora de um dos requerimentos que envolvem Janja. O colegiado pediu informações sobre o encontro do presidente e da primeira-dama com influenciadores digitais, realizado em 8 de fevereiro de 2023.

A comissão queria saber:

  • os pontos debatidos no encontro;

  • o critério para escolha dos convidados;

  • se a passagem, hospedagem e alimentação dos influenciadores foram pagos com dinheiro público.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social) do Governo respondeu que não foi feita ata com os pontos debatidos e o governo não custeou a viagem dos convidados. 

O órgão afirmou que os convidados foram escolhidos de acordo com “critérios técnicos”, como “relevância nas diversas redes, domínio temático de áreas prioritárias e distribuição sociogeográfica”.

No dia 26 de fevereiro de 2025, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), apresentou um pacote de 5 ofícios à Casa Civil, CGU (Controladoria-Geral da União), Polícia Federal e MPF (Ministério Público Federal) com solicitações relacionadas a suspeitas de irregularidades contra Michelle. O movimento seria uma reação à quantidade de requerimentos contra Janja.

MICHELLE BOLSONARO

Poder360 levantou que a ex-primeira-dama foi alvo de 11 requerimentos durante todo o mandato de Bolsonaro. O número é 7 vezes menor que as solicitações contra Janja.

Ainda assim, Michelle foi mais acionada pelos deputados federais do que as outras 5 primeiras-damas que a antecederam desde a redemocratização. 

Rosane Malta, ex-mulher de Fernando Collor, foi alvo de 2 requerimentos e Ruth Cardoso, mulher de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de um. Marcela Temer, Marisa Letícia e Marly Sarney não foram acionadas. 

No caso de Michelle, 5 foram apresentados por deputados do PT, que era o principal partido de oposição ao governo Bolsonaro. 

O tema mais recorrente é o dinheiro público. A investigação sobre a suspeita de que Michelle teria influenciado a concessão de empréstimos na Caixa Econômica Federal a empresas próximas à família Bolsonaro motivou 4 requerimentos contra a ex-primeira-dama.

O governo à época disse que não poderia responder aos questionamentos porque mensagens eletrônicas relacionadas a transações bancárias, dados pessoais e processos internos que envolvem concessão de crédito são protegidos por sigilo.

Os deputados também apresentaram 2 requerimentos sobre o repasse de R$ 7,5 milhões ao programa Pátria Voluntária, coordenado por Michelle. O recurso era destinado para compra de testes de covid-19.

O programa respondeu que o recurso foi uma doação de uma empresa privada que tinha a intenção de repassar o dinheiro para o Ministério da Saúde, mas como não há instrumentos legais para que o órgão receba doação de entidades privadas, a empresa teria procurado o programa de Michelle.

Segundo a Secretaria Executiva do programa, a empresa foi consultada e concordou que o recurso poderia ser investido em iniciativas de combate à pandemia, como itens de higiene, proteção e alimentos.

 A investigação contra Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por repasses financeiros ilícitos foi motivo para apresentação de 2 requerimentos contra Michelle. 

A ex-primeira-dama foi investigada porque teria recebido depósitos de Queiroz em sua conta. A Receita Federal, à época, disse que não poderia responder aos questionamentos por causa do sigilo fiscal. 

Outros 2 pedidos são relacionados a presentes recebidos por Michelle e 1 sobre uma carona que a então ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, teria dado a parentes da ex-primeira-dama em avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

OUTRAS PRIMEIRAS-DAMAS

Ex-mulher de Collor, Rosane inaugurou os requerimentos contra as primeiras-damas no período pós-redemocratização. Os 2 são pedidos de informação ao Ministério da Justiça sobre as investigações de corrupção na época em que presidiu a LBA (Legião Brasileira de Assistência). Ela acabou sendo inocentada.

Mulher de Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso foi alvo de um requerimento, com pedido de informações sobre o programa Comunidade Solidária, criado e presidido por ela. Ruth morreu em 2008.

O levantamento foi feito por este jornal digital, no dia 4 de março de 2025, por meio de busca nas propostas legislativas, disponíveis no site da Câmara dos Deputados, com os nomes das primeiras-damas desde a redemocratização, em 1985, até fevereiro de 2025. 

(Poder360)



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