Editora Abril, falida, é vendida a advogado



Um final melancólico, que encerra a dissipação praticada pelos sucessores do imenso
e valioso patrimônio construído por Victor Civita ao longo de 40 anos: o grupo Abril
acaba de comunicar que vendeu 100% de suas ações para o empresário e advogado
Fábio Carvalho. Para ser aprovado, o acordo ainda precisará passar pela análise do
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com a aprovação do Cade.para ser colocado em prática. Carvalho assumirá o
controle societário e ocupará a posição de presidente do grupo. A Abril, que já foi a
maior editora de revistas do continente, tendo na revista Veja a joia da coroa, deve 1,6
bilhão de reais, R$ 1,1 bilhão dos quais para bancos. Em agosto, pediu sua
recuperação judicial. A justiça lhe impôs o pagamento aos seus funcionários e a
readmissão dos que foram demitidos.

Por meio de nota, Fábio Carvalho se manifestou sobre o negócio: “A história do Grupo
Abril está intimamente relacionada com os grandes eventos políticos e econômicos
que marcaram a história do Brasil nas últimas décadas. A capacidade e importância
jornalística do Grupo é inegável. Não temos dúvida dos méritos e qualidades que
permeiam as companhias do Grupo e que serão os pilares sobre os quais nos
apoiaremos para superar os grandes desafios que se apresentam”.

Principal executivo da empresa, o herdeiro Giancarlo Civita, um dos netos de Victor,
também se pronunciou: “Com a venda do Grupo Abril para Fábio Carvalho, a família
Civita delega a ele a tarefa de administrar os desafios e as oportunidades que estão
no horizonte da nova mídia. Fábio reúne as características de empreendedor e a visão
de negócio que os novos tempos exigem. Desejamos a ele muito sucesso”.

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Entrar no grupo
A Abril distribuiu uma nota, na qual informa que Fábio “foca suas atividades
empresariais na aquisição de companhias em crise financeira com o objetivo de
conduzir amplas reestruturações e trazê-las novamente ao estado de estabilidade e
crescimento, contará com a estrutura da Legion Holdings, sociedade de investimentos
que fundou, composta por um time de especialistas em renegociações de dívidas e
transformações operacionais. Uma vez concretizada a transação, a nova equipe se
juntará a executivos do Grupo Abril, bem como aos profissionais da Alvarez & Marsal,
hoje responsáveis pela coordenação dos esforços de superação da crise pela qual
passam as companhias do Grupo".

A pergunta que se pode fazer a partir dessa observação é sobre a importância que o
jornalismo terá nesse plano de recuperação econômico-financeira.
Independentemente do sucesso da difícil empreitada, uma coisa é certa; oficializa-se o
fim de uma era, que começou a ruir com a morte de Victor Civita seguiu uma trajetória
rara e exemplar de empresário, em particular de jornalismo, no país.

Pude testemunhar o alto padrão profissional da Abril na redação em São Paulo e,
depois, como correspondente de Veja em Belém. Na sede, o almoxarifado respondia
ao pedido de “algumas laudas” para levar para o trabalho em casa com uma resma, no
mínimo; um pacote do remédio no lugar de um comprimido; comida de primeira no
restaurante da empresa; viagens para qualquer lugar que rendesse uma boa matéria;

gente competente dando cobertura na retaguarda ao trabalho de linha de frente; apoio
em ocasiões difíceis.
Esta Abril jamais será ressuscitada. Virou história, memória, lembrança e saudade. A
maior contribuição dos herdeiros do fundador foi contribuir para essa melancolia.

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Jornal Pessoal


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