Quem é a juíza demitida por usar sentença similar em 2 mil processos




A juíza substituta Angélica Chamon Layoun, que atuava na comarca de Cachoeira do Sul (RS), foi oficialmente demitida na segunda-feira (7/7) pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). Ela estava afastada do cargo desde setembro de 2023 por conta do processo administrativo-disciplinar (PAD) que apurava irregularidades na condução de ações da comarca, como o uso de uma decisão padrão na sentença de ao menos 2 mil processos.

O termo de demissão, assinado pelo presidente do TJRS, desembargador Alberto Delgado Neto, foi publicado no Diário da Justiça do Tribunal. Durante o período em que esteve afastada, Angélica continuou recebendo remuneração.

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Natural de Mariana (MG), ela atuou por seis anos como juíza no Estado de Pernambuco antes de ser aprovada em concurso para a magistratura gaúcha. Ao ser nomeada no Rio Grande do Sul, em julho de 2022, ela optou por se exonerar do cargo no Judiciário pernambucano.

A carreira no Judiciário gaúcho, entretanto, durou apenas 1 ano, 2 meses e 15 dias. Em outubro de 2023 ela passou a ser investigada administrativamente por:

  • uso de uma decisão padrão para sentenciar cerca de 2 mil processos cíveis;
  • desarquivamento de processos já julgados e, neles, proferir novas sentenças idênticas, computando para si os “novos” julgamentos.
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Aumento do índice de produtividade

Como a juíza ainda estava em estágio probatório, ela não possuía a garantia de vitaliciedade. De acordo com o Tribunal, Angélica teria adotado as práticas que geraram a demissão, na tentativa de aumentar artificialmente os índices de produtividade.

A defesa da magistrada, liderada pelo advogado Nilson de Oliveira Rodrigues, entrou com recurso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pedindo a revisão da penalidade. Segundo ele, a decisão foi “desproporcional” e “carente de prova de dolo ou má-fé”.

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O advogado argumenta que Angélica atuava em uma unidade com acúmulo de processos e sem juiz titular havia anos, e que sua atuação visava reestruturar o funcionamento da vara.

Formada pela Universidade Fumec, em Belo Horizonte (MG), antes de se tornar juíza, Angélica Chamon atuou como advogada e analista jurídica.



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