Governo faz evento tímido para anúncio de pacote de ajuda aos exportadores





Depois de vários adiamentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fechou o aguardado pacote de medidas para o socorro dos exportadores afetados pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Contudo, escolheu o menor salão do Palácio do Planalto para fazer o anúncio, nesta quarta-feira (13/8), com uma hora e 20 minutos de atraso.

Denominado Brasil Soberano, o pacote vinha sendo prometido desde o fim de julho a fim de compensar as perdas dos empresários com o aumento de 10% para 50% dos impostos norte-americanos sobre os produtos brasileiros, que entrou em vigor no último dia 6, salvo a lista de quase 700 produtos divulgada sete dias antes pela Casa Branca.

Continua após a publicidade.

Entre as propostas previstas na Medida Provisória (MP) do novo pacote, destaca-se a linha de crédito de R$ 30 bilhões via bancos públicos para os exportadores brasileiros afetados pelas medidas protecionistas de Trump. O republicano vem tentando justificar o tarifaço devido a um deficit comercial inexistente com o Brasil e ainda saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é réu em processo da tentativa de golpe de 8 de janeiro no Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, o filho do ex-presidente, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) articulou para o tarifaço contra o Brasil junto ao governo dos EUA.

O espaço fiscal do governo para essas medidas de socorro, contudo, é limitado. Em maio, a equipe econômica foi obrigada a anunciar um bloqueio de R$ 31 bilhões de gastos para cumprir a meta fiscal, mesmo com a possibilidade de abatimento de R$ 44 bilhões de despesas com precatórios (dívidas judiciais).

Sob aplausos tímidos da plateia, o chefe do Executivo sinalizou acenos a outros países para buscar novos mercados para substituir as perdas dos exportadores brasileiros, como a Índia e nações europeias. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inclusive, reconheceu que a MP assinada, hoje, por Lula para o crédito para os exportadores é o primeiro passo de outras medidas que podem vir para o socorro dos empresários que estão sendo afetados pelas medidas unilaterais de Trump.

Continua após a publicidade.

Pelas estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base nos dados da United States International Trade Comission (USITC), 77,8% das exportações sujeitas a taxação adicional, 45,8% estão submetidas a tarifas de 40% ou 50% direcionadas especificamente ao Brasil. E os dados mostram que 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou US$ 17,5 bilhões.

Pequeno porte

A escolha do local para o evento foi uma “decisão de agenda”, segundo a assessoria do Palácio. O Salão Leste é o menor dos três salões de eventos da sede do Poder Executivo do prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, e utilizado para a assinatura de decretos e entrevistas coletivas de autoridades.

Continua após a publicidade.

O evento foi esvaziado, pois, de acordo com um dos convidados, o convite chegou “em cima da hora”, na noite de ontem, e portanto, e não dava para participar presencialmente da cerimônia.

Normalmente, em anúncios mais ambiciosos, o presidente Lula costuma utilizar o Salão Nobre, que tem capacidade para 1 mil convidados ou até mesmo o Salão Oeste, de médio porte, com capacidade para 300 a 500 pessoas.

Além dos ministros do governo e algumas dezenas de convidados, o evento contou com a participação dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Vale lembrar que foi no Salão Leste onde foi realizada, de forma bastante tímida e com pouca claque, a posse do presidente Michel Temer (MDB), que assumiu o comando do país após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). E os jornalistas, como é a praxe nesses eventos de pequeno porte, ficam bem ao fundo do salão.



Noticias da Semana

Veja +