
Redação, Porto Velho RO, 12 de janeiro de 2026 - As exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos registraram queda significativa em 2025, interrompendo uma trajetória de crescimento observada nos últimos anos e atingindo o pior desempenho dos últimos cinco anos, segundo relatório divulgado pelo Monitor do Comércio Brasil–EUA da Amcham Brasil.
No acumulado do ano passado, as vendas de produtos nacionais para o mercado norte-americano somaram US$ 37,7 bilhões, uma redução de 6,6% em comparação a 2024, quando foram registrados US$ 40,4 bilhões em exportações. Esse resultado representa também a menor participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira desde 2020, caindo de 12% para 10,8% do total embarcado pelo país.
De acordo com analistas da Amcham, a retração está diretamente relacionada às sobretaxas impostas pelo chamado “tarifaço” comercial dos Estados Unidos, que aumentaram significativamente as tarifas de importação de diversos produtos brasileiros ao longo de 2025. Os itens sujeitos às alíquotas mais elevadas — em muitos casos de 40% a 50% — sofreram uma queda ainda mais acentuada durante o segundo semestre do ano, com retração de 21,6% entre agosto e dezembro nos embarques taxados dessa forma.

Além das tarifas, a baixa nas exportações de petróleo bruto e combustíveis, provocada pela maior produção doméstica dos EUA, também contribuiu para o resultado negativo, com recuo de cerca de US$ 1,2 bilhão nesses setores.
O impacto foi sentido especialmente pela indústria de transformação brasileira, responsável por mais de 80% das exportações ao mercado americano, que registrou sua primeira queda desde 2020, com vendas industriais diminuindo para US$ 30,2 bilhões em 2025.
Enquanto as exportações brasileiras diminuíam, as importações de produtos norte-americanos pelo Brasil cresceram 11,3%, totalizando US$ 45,2 bilhões em 2025 — o segundo maior valor da série histórica. Esse movimento resultou em um déficit comercial bilateral de US$ 7,5 bilhões, um salto de mais de 2.500% em comparação ao saldo negativo de US$ 300 milhões registrado em 2024.
Especialistas consultados pela Amcham Brasil avaliam que 2026 será um ano crucial para a retomada do comércio bilateral, com a necessidade de redução ou eliminação das sobretaxas que ainda incidem sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. Essa medida, defendem, poderia recuperar a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano, especialmente no setor industrial, que tem sentido com mais intensidade os efeitos das tarifas elevadas.
Fonte: noticiastudoaqui.com