Cheia do rio Guaporé causa de morte de filhotes de tartarugas em Rondônia



Áreas que antes ficavam secas foram alagadas, o que fez com que muitos filhotes morressem afogados. Voluntários trabalham para resgatar as tartaruguinhas ainda dentro dos ninhos.

A cheia do rio Guaporé ameaça o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo, localizado em São Francisco do Guaporé, na fronteira de Rondônia com a Bolívia. Com a elevação do nível do rio, áreas que antes ficavam secas foram alagadas, fazendo com que muitos filhotes morram afogados ainda nos ninhos.

Continua após a publicidade.

As alterações no regime de chuvas têm afetado diretamente o ciclo reprodutivo das tartarugas na região amazônica. As mudanças climáticas atrasaram o período de desova e alteraram o nascimento dos filhotes, aumentando os riscos à espécie.

Para tentar minimizar os impactos, voluntários trabalham diariamente cavando a areia das margens do rio para resgatar as tartaruguinhas ainda dentro dos ninhos.

O trabalho é realizado pela Ecovalle, uma associação sem fins lucrativos que há 26 anos atua em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na preservação da espécie. A mobilização tem atraído não só voluntários da associação, mas também moradores, pescadores e turistas.

Continua após a publicidade.
  • “Pescadores, turistas, vieram e se sensibilizaram com essa situação e estão aqui ajudando a salvar filhotes, estávamos salvando o maior número possível que a gente conseguir”, conta o voluntário Zeca Lula.

O local é considerado o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo. Somente nesta temporada de nascimento, mais de 150 mil filhotes já foram soltos na natureza.

Continua após a publicidade.

Ninho de filhotes no rio Guaporé

Cada ninho pode abrigar mais de 100 tartarugas. No entanto, o atraso no período de desova, de quase dois meses fora do previsto, e a cheia inesperada têm comprometido a sobrevivência dos filhotes.

De acordo com o coordenador de Meio Ambiente, José Carrath Neto, o trabalho exige atenção constante às mudanças climáticas.

  • “O grande aprendizado é que, ano após ano, a gente aprende que as condições climáticas na região acabam alterando alguns ciclos e nós precisamos estar atentos a essa mudança para que a gente possa criar métodos e estratégias para poder minimizar os impactos em relação à fauna, à vegetação”, explica.

Segundo dados do Ibama, o número de tartarugas que conseguem chegar à idade reprodutiva subiu de 1,5% para 3% desde o início das ações de preservação. Mesmo assim, especialistas alertam para riscos futuros.

A médica veterinária Camila Ferrara, especialista em quelônios amazônicos da WCS Brasil, acompanha o trabalho há mais de 20 anos e destaca que o problema não é isolado. Segundo ela, o fenômeno não aconteceu apenas no rio Guaporé, mas em vários rios da Amazônia.

“Mas se esse fenômeno passar a acontecer todos os anos, a gente não vai ter a entrada de novos indivíduos na população, que é o que a gente chama de recrutamento”, alerta.

*Por Gedeon Miranda, da Rede Amazônica RO




Noticias da Semana

Veja +