Jaques Wagner pediu emprego no Master para Guido Mantega



Mantega chegou ao banco após mercado rejeitar indicação dele para a Vale. Tarefa era azeitar a venda para o BRB e salário era de R$ 1 milhão

O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega atendendo a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração era de R$ 1 milhão por mês, segundo apurou a coluna com integrantes do banco.

Continua após a publicidade.

Como consultor do banco, Mantega conseguiu levar Daniel Vorcaro, dono do Master, para uma reunião com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro não está registrado na agenda do petista. Estavam presentes também Augusto Lima, então CEO do Master, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Gabriel Galípolo, que já estava indicado para assumir o Banco Central.
Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/1), o presidente Lula (PT) foi duro com o Master. Sem citá-lo nominalmente, acusou o dono do banco, Daniel Vorcaro, de “dar um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. “Falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro, disse Lula. O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista.

Guido Mantega só conseguiu a vaga no Master graças à intervenção de Jaques Wagner. Ele começou a trabalhar para o banco depois que o governo Lula desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.

Embora a mineradora seja hoje uma empresa privada, o governo mantém influência na Vale por causa das concessões públicas da companhia e dos investimentos de fundos de pensão de empresas estatais na instituição. Na época, atores do mercado foram contra a indicação de Mantega, por considerá-la uma interferência indevida de Lula na empresa.

Continua após a publicidade.

O presidente considerava ter uma dívida de lealdade com Mantega, que se manteve fiel a ele na época da Lava Jato – ao contrário de outros, como Antonio Palocci, que acusou Lula em delação premiada de receber propina.

No Master, a tarefa de Mantega era azeitar a venda da empresa de Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB).

O ex-ministro prestou consultoria ao Master até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição financeira, em novembro do ano passado. Os pagamentos feitos pela instituição controlada por Vorcaro a Mantega podem ter alcançado, no mínimo, R$ 11 milhões.

Continua após a publicidade.

A relação mais próxima de Jaques Wagner dentro do Master não era com o próprio Daniel Vorcaro, e, sim, com o sócio dele, o baiano Augusto Lima. Ex-CEO do Master, Lima também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ministro estava no palanque do evento em que Lula disse faltar “vergonha na cara” a quem defende o banco (veja vídeo).

Mantega foi quatro vezes ao Planalto enquanto trabalhava para o Master

Mantega esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto. Em todas as ocasiões, foi recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

A agenda oficial do Planalto diz apenas que se tratou de “encaminhamento de pauta”, sem mais detalhes. Os registros mencionam apenas os nomes de Marcola e Mantega e informam que os encontros se deram no 3º andar do Planalto, onde despacham Marcola e o próprio Lula.

Os encontros registrados ocorreram em 2024, nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro.

Nas agendas, Mantega é descrito apenas como “ex-ministro do Ministério da Fazenda / Ministério da Fazenda”. Não há menção ao Master. As informações foram compiladas pela coluna a partir da ferramenta Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo.

Procurado, Daniel Vorcaro decidiu não comentar. A coluna não conseguiu contato com Jaques Wagner e Guido Mantega na noite desta sexta-feira (23/1). O espaço segue aberto.

(Metropoles)





Noticias da Semana

Veja +