PF prende ex-presidente de fundo para aposentados por investimento no Banco Master



Com rombo de quase R$1 bilhão, a liderança do órgão ignorou alertas de risco e aplicou recursos de 235 mil aposentados em títulos sem seguro.

A Polícia Federal prendeu Deivis Marcon Antunes, ex-chefe da Rioprevidência (RJ) por autorizar o investimento de R$970 milhões no Banco Master sem qualquer seguro contra falência.

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Mesmo após alertas explícitos do Tribunal de Contas sobre o risco de perda, a gestão realizou novos aportes de R$850 milhões até a liquidação do banco pelo Banco Central em 2025.

Para evitar o colapso nos pagamentos, o Estado agora retém parcelas de empréstimos dos servidores para cobrir o prejuízo.

A Rioprevidência é responsável por garantir o pagamento de 235 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.

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A prisão ocorreu em Itatiaia (RJ), como parte da segunda fase da Operação Barco de Papel.

O nome da investigação faz referência à fragilidade dos negócios realizados pelo grupo: a suspeita é que a cúpula do órgão tenha colocado os recursos dos servidores em risco de forma deliberada.

Este é apenasmais um capítulo da crise envolvendo o Banco Master. Para entender os detalhes desse caso que repercute em todo o país, assista a produção da Brasil paralelo sobre o caso.

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O risco sem cobertura

Entre 2023 e 2024, a gestão do órgão aplicou R$970 milhões em títulos chamados "Letras Financeiras" emitidos pelo Banco Master.

Na prática, essas letras funcionam como um empréstimo que o fundo público faz ao banco privado para receber o valor de volta com juros no futuro.

O perigo central é que esses investimentos não contavam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que atua como uma espécie de "seguro" que devolve o dinheiro ao investidor caso o banco venha a quebrar.

Sem esse mecanismo de segurança, o patrimônio destinado às aposentadorias ficou totalmente exposto à saúde financeira da instituição.

A entidade ignorou os alertas e fez mais aportes

O caso apresenta gravidade adicional devido aos avisos emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Em abril de 2025, o órgão alertou que o fundo estava "altamente exposto" ao Banco Master e que novos investimentos resultariam em responsabilidade pessoal para os gestores.

Mesmo após o alerta, a Rioprevidência realizou 15 novos aportes em fundos ligados ao grupo Master, totalizando mais R$850 milhões.

Nicholas Cardoso, atual presidente interino do órgão, era membro do comitê que avaliava esses riscos no período em que os recursos foram liberados.

A estratégia de retenção

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a falência do Banco Master por falta de caixa.

Com isso, o governo do Rio de Janeiro adotou uma manobra para tentar resguardar o fundo.

O governo parou de repassar ao banco o dinheiro dos empréstimos consignados que já haviam sido descontados dos salários dos servidores.

Em vez de entregar o valor ao banco, o Estado guardou esse dinheiro para tentar diminuir o prejuízo bilionário.

Apesar disso, o órgão responsável garantiu que o pagamento de quem já é aposentado ou pensionista não será afetado e continuará caindo na conta normalmente.

Quase diariamente surgem novas informações sobre o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro. Para entender o que está por trás dessa instituição que tem agitado o noticiário brasileiro, a Brasil Paralelo está preparando um material exclusivo.

(brasilparalelo)



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