Na tarde de ontem, sexta-feira (25), o município de Brumadinho, localizado em Minas Gerais, foi tomado por um mar de lama e rejeitos após o rompimento de uma barragem, de responsabilidade da Vale, que estava localizada na mina de Córrego de Fundão. O centro administrativo da empresa também foi atingido.
A princípio, o Ministério do Ambiente falou em 3 barragens rompidas, mas, de acordo com a Vale, uma barragem se rompeu mas o volume muito alto de lama causou o transbordamento de outra. Foram abertos inquéritos pelas Polícias Federal e Civil para apurar crimes contra a vida e crimes ambientais. Os rejeitos são do processo de mineração para separar minério de ferro bruto das impurezas, sendo que a lama contém restos de minérios, sílica e derivados de amônia.
Agora o mar de lama está descendo a Serra dos Dois Irmãos, onde há Mata Atlântica. Cairá no rio Paraopeba, que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte até chegar no Rio São Francisco. Os rejeitos devem percorrer 200km. De acordo com o G1, no meio do caminho a lama passará pela Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, onde espera-se que a quantidade de lama seja reduzida até desaguar no São Francisco.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, até às 17h deste sábado (26), 11 mortos foram confirmados e 299 pessoas estão desaparecidas. A Vale também não conseguiu contato com 265 funcionários até o momento. Para o presidente da mineradora, a tragédia foi “uma surpresa” porque “estava tudo em ordem”. Conversa fiada. A agência Nacional de Mineração informou que havia alto dano potencial associado à estrutura.
A Vale informou que a barragem estava desativada desde 2015. Em dezembro de 2018, a mineradora conseguiu uma licença do governo do estado de Minas Gerais para retirar minérios de rejeitos que estavam acumulados.
Mas a Secretaria do Meio Ambiente de MG disse que, mesmo com a autorização, a empresa não podia mexer na barragem porque tinha “pendências ambientais”, com “informações inverídicas ou omissas”, sendo que uma comunidade não havia sido incluída no estudo de impacto ambiental da barragem, mesmo sendo atingida diretamente. Em 10 de janeiro houve um recurso contrario à barragem, alegando que 2 córregos afluentes do Rio Paraopeba poderiam ser afetados.
“O material dentro da barragem já era razoavelmente seco e consequentemente não tem esse poder de se deslocar por grandes regiões”, afirmou o presidente da mineradora, garantindo que a lama não é tóxica. Só que não é o que os especialistas dizem. Para eles, há danos graves como a contaminação do solo e da água por minério fino, uma sobra dos rejeitos. Ainda não há como medir o tamanho do estrago.
A Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de 5 bilhões de reais da Vale, para garantir a adoção de medidas emergenciais. Esses recursos devem ser usados, por força de liminar, para estancar o vazamento em até 5 dias, iniciando a partir daí a remoção do volume de lama, mapeando danos para elaboração de um plano de recomposição da área. Além disso, medidas para evitar contaminação de nascentes devem ser adotadas, assim como o controle de proliferação de pragas e doenças. A Polícia Federal deve concluir a investigação sobre autoria e materialidade do crime em 30 dias.
Tragédia comparada, o rompimento da barragem de Mariana aconteceu em novembro de 2015, sendo de maior proporção que a de Brumadinho. Naquela época, a eficiência do Plano Nacional de Segurança de Barragens foi colocada em cheque. Em 2016, o Senado debateu o assunto e chegou a conclusão de que a legislação precisaria mudar. Só que o projeto para segurança mais rígida, com punições mais rigorosas, foi arquivado antes de ser votado. Na Câmara dos Deputados há cinco projetos da mesma natureza, mas todos estão parados.
As informações são do Jornal Hoje.