Ações da companhia caíram 24,52% nesta segunda-feira e puxaram para baixo o indicador da Bolsa de SP, que recuou 2,29% por causa da mineradora
A Bolsa reagiu ao rompimento da barragem Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, na sexta-feira, 25. A Vale, dona da estrutura, perdeu 71 bilhões em valor de mercado – maior queda em um dia na história das empresas brasileiras de capital aberto – e suas ações caíram 24,52% no dia. O movimento puxou a Ibovespa, que fechou em baixa de 2,29%, aos 95.443,88 pontos. O dólar caiu 0,17%, indo a 3,76 reais.
Como na sexta-feira, 25, a Ibovespa estava fechada por causa do feriado de aniversário de São Paulo, só nesta segunda-feira foi possível perceber a influência do desastre em Brumadinho na Bolsa brasileira. A Vale, que tem grande influência no indicador, teve queda brusca – além das ações da companhia, os papeis de sua holding, a Bradespar, caíram 24,49%
A mineradora teve 11 bilhões de reais bloqueados, devido a ações do Governo de Minas Gerais e do Ministério Público do Estado. O dinheiro seria para atendimentos a vítimas e para compensar danos ambientais.
Além disso, a empresa recebeu duas multas: uma de 250 milhões de reais, aplicada pelo Ibama, e outra de 99 milhões de reais aplicada pelo governo mineiro.
A agência de risco Standard & Poor’s colocou para análise a nota da mineradora brasileira. A empresa é considerada hoje de boa qualidade pela S&P.
De acordo com Pedro Galdi, da corretora Mirae, a tendência é que as ações da empresa continuem em baixa por alguns meses, até que os investidores voltem a olhar a mineradora com mais cuidado. “São muitas notícias ruins agora. É um papel que vai ficar pressionado por um tempo”, conta.
A queda das ações da empresa, de acordo com ele, vem do medo dos investidores de que a situação possa ficar ainda pior. “Eles querem recuperar o prejuízo agora, ao invés de esperar”.
A perspectiva para a Bolsa, no entanto, segue positiva. “Existe uma alta pela expectativa de recuperação do cenário econômico do país”, disse. Os investidores estão de olho em qualquer novidade sobre a reforma da Previdência, que até agora vem animando o mercado, vide os recordes seguidos no começo do ano.
Fonte: Veja