Eleitorado 60+ cresce 74% desde 2010 e chega a 36 milhões



Levantamento da Nexus divulgado nesta 3ª feira (14.abr.2026), com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral, mostra que o envelhecimento da população brasileira tem impacto direto no cenário eleitoral. Entre 2010 e 2026, o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu 74%, ritmo 5 vezes superior ao do eleitorado geral, que aumentou 15% no mesmo período. Eis a íntegra da pesquisa (PDF – 862 kB).

Segundo os dados, a chamada geração 60+ passou de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em 2026. Com isso, a participação desse grupo no total de eleitores subiu de 15,3% para 23,2%.

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Esse avanço acompanha a transformação demográfica do país. Nas últimas décadas, a população idosa passou de 7% para 16% do total de brasileiros, refletindo o aumento da expectativa de vida e a redução das taxas de natalidade.

Regiões que concentram eleitores mais velhos

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A distribuição geográfica do eleitorado 60+ revela desigualdades regionais. Estados das regiões Sul e Sudeste concentram as maiores proporções de idosos aptos a votar.

O Rio Grande do Sul lidera, com 29%, seguido por Rio de Janeiro (28%) e Minas Gerais (26%). São Paulo (25%) e Paraná (24%) completam o grupo com maior presença relativa. Nos três maiores colégios eleitorais do país, os eleitores com mais de 60 anos somam cerca de 16 milhões de pessoas.

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Na outra ponta, estados do Norte apresentam perfil mais jovem. Amapá, Amazonas e Roraima têm 15%, enquanto o Acre registra 16%, as menores proporções de eleitores nessa faixa etária. Os dados foram arredondados.

O envelhecimento também avança de forma acelerada em alguns estados. O Rio Grande do Sul teve o maior crescimento proporcional entre 2010 e 2026, com alta de 11,2 pontos percentuais. Espírito Santo (+10,2 p.p.), Minas Gerais (+9,8 p.p.) e Rio de Janeiro (+9,5 p.p.) aparecem na sequência.

Comparecimento e abstenção

O comportamento eleitoral varia dentro da própria Geração 60+. Entre os eleitores de 60 a 69 anos, para os quais o voto ainda é obrigatório, a taxa de comparecimento é superior à média nacional. Em 2022, 85,7% foram às urnas, contra 79,1% do eleitorado total.

Esse grupo também apresentou uma das menores taxas de abstenção: 14,3%, abaixo dos 20,9% da média nacional.

Já entre os eleitores com 70 anos ou mais, cujo voto é facultativo, o cenário é oposto. Em 2022, apenas 41,1% compareceram às urnas, enquanto 58,9% se abstiveram. Ainda assim, há tendência de aumento gradual da participação dessa faixa etária ao longo das últimas eleições.

Em números absolutos, o engajamento da Geração 60+ vem crescendo: 15,3 milhões votaram em 2014, 17,7 milhões em 2018 e 21,6 milhões em 2022.

Peso nas eleições

Os dados indicam que o envelhecimento do eleitorado pode influenciar cada vez mais as disputas políticas no país. Em um cenário de eleições acirradas, como em 2022, decidida por margem inferior a 2 milhões de votos, o peso desse grupo pode ser determinante.

Metodologia

O estudo da Nexus –Pesquisa e Inteligência de Dados– foi elaborado a partir de bases públicas do TSE. A coleta foi realizada em 1º de março de 2026, com dados do Portal de Dados Abertos do tribunal.

A análise considera três dimensões principais ao longo do período de 2010 a 2026:

  • cadastro eleitoral (número de eleitores aptos);
  • comparecimento às urnas;
  • abstenção.

Os dados de 2026 são parciais e podem sofrer atualização até o fechamento do cadastro eleitoral, cujo prazo vai até 6 de maio de 2026.

O recorte etário adotado no levantamento destaca a população com 60 anos ou mais, subdividida em:

  • 60 a 69 anos (voto obrigatório);
  • 70 anos ou mais (voto facultativo).

A partir dessas informações, a Nexus construiu séries históricas, projeções e comparativos regionais para analisar o avanço da participação da geração 60+ no eleitorado brasileiro.

(Poder360)




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