Por que a Vale está fazendo isso com a nossa gente?
Se somos parceiros por anos e anos.
Se prestamos o nosso serviço a ela.
Se fizemos dela uma das maiores do mundo.
Por que matar a gente dessa forma?
5 de novembro de 2015, às 15h30, barragem do Fundão se rompe em Mariana.
O rompimento da barragem se converteu na época na maior tragédia ambiental brasileira e no mais grave acidente – e único dessa natureza – da história da mineração mundial. A onda devastou os distritos rurais de Bento Rodrigues e Paracatu, deixando 19 mortos e centenas de desabrigados.
Por volta de 18h30 do mesmo dia 5 de novembro, os rejeitos de minério de ferro chegaram ao Rio Doce e se espalhou por 35 cidades em Minas Gerais e mais três no Espírito Santo, até atingir o mar no litoral capixaba. No caminho, matou toneladas de peixes, além de outros organismos que viviam nos rios da bacia do Rio Doce. Tanto tempo depois do acidente, os locais devastados ainda não recuperaram sua natureza nem sua dignidade. Os distritos Bento Rodrigues e Paracatu ainda estão debaixo de lama e o reassentamento ainda não foi construído.
25 de janeiro de 2019, às 13h20, uma onda de lama fez o Brasil inteiro relembrar a tragédia ambiental e humana registrada há pouco mais de 38 meses em Minas Gerais. De novo, Minas Gerais. De novo, pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale. A lama destruiu refeitório e prédio da mineradora, pousada, casas e vegetação. Mais de 80 mortes, outros quase 300 desaparecidos, por enquanto.
O que mais inquieta e traz uma reflexão verdadeiramente humana é que essa tragédia vai tirar o direito de muitos, que não poderão cumprir o ritual de um funeral para oferecer um descanso eterno ao seu ente querido e ao seu pobre coração mineiro.
Oh Vale, faz isso com a gente não...
Fonte: Júnior Albuquerque – Jornalista, publicitário e valadarense.