
O senador Flávio Bolsonaro decidiu apostar em um nome histórico da publicidade brasileira para tentar reorganizar sua comunicação política em meio ao desgaste provocado por crises internas e pela repercussão do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O escolhido é o publicitário Eduardo Fischer, criador da emblemática campanha “Número 1” da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994, responsável por eternizar o gesto do dedo indicador levantado que marcou aquela conquista mundial.
A chegada de Fischer ocorre após a saída do marqueteiro Marcello Lopes, o “Marcelão”, em meio a turbulências na pré-campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, aliados relatam dificuldades de alinhamento interno, desgaste político e forte pressão após o vazamento de mensagens envolvendo pedidos de financiamento milionário para um documentário sobre Bolsonaro.
A escolha de Eduardo Fischer representa uma tentativa de reposicionar a imagem pública de Flávio Bolsonaro apostando em um profissional conhecido pelo apelo emocional, marketing popular e campanhas de forte impacto simbólico. Fischer fundou, em 1981, a agência Fischer & Justus ao lado de Roberto Justus, transformando-se em um dos nomes mais influentes da propaganda brasileira nas décadas de 1990 e 2000.
Foi dele a criação da campanha “Brahma Número 1”, associada diretamente ao tetracampeonato mundial conquistado pela Seleção Brasileira nos Estados Unidos. O gesto do “número 1”, repetido por jogadores e torcedores durante a Copa de 1994, virou um dos maiores símbolos publicitários da história recente do país.
Além do sucesso na publicidade esportiva, Fischer acumulou mais de 700 prêmios nacionais e internacionais ao longo da carreira e também ganhou notoriedade com campanhas como a do “Baby Telesp Celular”, que marcou a chegada da telefonia móvel em São Paulo.
Apesar da trajetória vitoriosa, a carreira do publicitário também enfrentou turbulências. A Agência Fischer atravessou uma forte crise financeira na década passada, encerrando operações físicas em São Paulo em 2019. Ex-funcionários relataram atrasos salariais e dificuldades financeiras no período de fechamento da estrutura da empresa.
No campo político, Fischer possui experiência limitada. Atuou na campanha presidencial de Alvaro Dias em 2018 e chegou a ser cogitado para integrar a equipe do ex-governador João Doria em 2022.
A entrada de Fischer acontece num momento delicado para Flávio Bolsonaro, que tenta reorganizar sua estratégia eleitoral diante de desgastes sucessivos, disputas internas e pressões sobre sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Nos bastidores do PL, a avaliação é de que o senador busca um discurso mais emocional, popular e simbólico — fórmula que marcou a carreira do novo marqueteiro desde os tempos do tetracampeonato mundial.
Para aliados bolsonaristas, a contratação sinaliza uma tentativa de recuperar a narrativa e reconectar a campanha com setores populares. Já críticos avaliam que a mudança expõe a preocupação crescente do entorno político de Flávio Bolsonaro com os efeitos da crise de imagem que atinge o grupo político às vésperas da disputa de 2026.
Fonte: noticiastudoaqui.com