Direita volta a superar a esquerda no Brasil e revela mudança no perfil ideológico do eleitorado



Direita volta a superar a esquerda no Brasil e revela mudança no perfil ideológico do eleitorado

Redação, Porto Velho RO, 04 de julho de 2026 - A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha aponta uma significativa mudança no cenário ideológico brasileiro e indica que a direita voltou a superar a esquerda no país, revertendo o quadro registrado em 2022. O levantamento mostra que 44% dos brasileiros se enquadram no campo da direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificam com a esquerda ou centro-esquerda. Na pesquisa realizada durante o processo eleitoral de 2022, a situação era inversa: 49% estavam posicionados no espectro da esquerda e 34% no da direita.

O estudo foi elaborado a partir de uma matriz ideológica construída com respostas dos entrevistados sobre temas ligados à economia, segurança pública, religião, costumes, papel do Estado, direitos individuais e comportamento social. Segundo o levantamento, a principal mudança ocorreu justamente nas pautas comportamentais, onde o eleitorado passou a demonstrar posições mais conservadoras em assuntos como criminalidade, drogas, religião, família e valores morais.

Esta é a primeira vez desde 2014 que a direita aparece à frente na série. Naquele ano, com Dilma Rousseff (PT) na Presidência, a direita reunia 45%, contra 35% da esquerda. Houve empate técnico nas edições de 2013, com 39% à direita e 41% à esquerda, e de 2017, com 40% e 41%, respectivamente.

Na divisão em cinco grupos, 15% estão à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os percentuais eram, na mesma ordem, 9%, 24%, 17%, 32% e 17%.

A classificação não resulta de uma pergunta direta sobre como o entrevistado se define. Para chegar ao resultado, o instituto consultou os entrevistados sobre uma série de questões envolvendo valores sociais, políticos, culturais e econômicos. A partir daí, posiciona-os em escalas de comportamento e pensamento econômico.

Apesar do avanço conservador nas questões de comportamento, a pesquisa revela que os brasileiros continuam defendendo, em grande parte, uma forte atuação do Estado na economia. A maioria dos entrevistados apoia a participação governamental no desenvolvimento econômico, na proteção de empresas estratégicas e na manutenção de direitos trabalhistas, demonstrando que o eleitorado combina posições conservadoras nos costumes com visões mais intervencionistas na área econômica.

O levantamento também evidencia diferenças relevantes entre homens e mulheres. Enquanto o eleitorado masculino apresenta predominância da direita — chegando a cerca de metade dos entrevistados — as mulheres continuam demonstrando perfil relativamente mais inclinado à esquerda, embora a diferença entre os dois campos tenha diminuído nos últimos anos.

Analistas avaliam que os números reforçam uma reorganização do cenário político nacional às vésperas da intensificação da disputa eleitoral de 2026. O avanço da direita ocorre em um contexto de elevada polarização política e poderá influenciar estratégias partidárias, discursos de campanha e alianças eleitorais nos próximos meses. Ao mesmo tempo, especialistas observam que a pesquisa indica um eleitorado mais complexo do que a tradicional divisão entre direita e esquerda, reunindo posições conservadoras nos costumes e, simultaneamente, maior aceitação da presença do Estado na economia.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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