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SÃO PAULO (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro acusou nesta quinta-feira o Supremo Tribunal Federal (STF) de cometer crime e de divulgar notícias falsas, depois de a corte mais uma vez rebater as alegações equivocadas do presidente de que tirou poderes dele para combater a pandemia de Covid-19.
Em publicação no Twitter na quarta, o STF esclareceu mais uma vez que não proibiu o governo federal de agir no combate à pandemia e não tirou poderes de Bolsonaro para tomar decisões sobre a Covid-19.
“Uma mentira contada mil vezes não vira verdade!”, disse a corte na publicação, fazendo alusão à frase do ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, de que “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”.
Na manhã desta quinta, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que o STF cometeu crime, divulga notícias falsas e prometeu rebater a corte.
“Vou rebater logo mais a nota do STF de ontem dizendo que não tirou poderes meus. É fake news. Em uma decisão de março ou abril, STF decidiu que as medidas restritivas impostas por governadores e prefeitos não poderiam ser modificadas por mim”, afirmou Bolsonaro.
“Então o STF, na verdade, cometeu crime ao dizer que prefeitos e governadores, de forma indiscriminada, poderiam suprimir todo e qualquer direito previsto no inciso 5º da Constituição, inclusive o ir e vir”, acusou.
Na verdade, o STF decidiu em abril de 2020 que todos os níveis de governo têm de atuar de forma conjunta –sob a coordenação federal– em relação às ações de enfrentamento à pandemia.
No entanto, Bolsonaro, que por várias minimizou a Covid-19, que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil, é contra as medidas de distanciamento social entre outras preconizadas por autoridades nacionais e internacionais de saúde para conter a disseminação da Covid-19, como uso de máscaras, por exemplo.
Ele constantemente critica governadores e prefeitos por determinarem o fechamento de estabelecimentos nos momentos mais graves da pandemia e alega que as atividades econômicas deveriam ter permanecido abertas, com apenas as pessoas idosas e com maior risco caso contraísse a doença isoladas.
Bolsonaro alega, contrariando evidências, que medidas de isolamento adotadas por Estados e municípios não surtiram efeito na contenção da disseminação do coronavírus e diz que elas foram adotadas por rivais políticos que tinham objetivo de derrubar seu governo afetando o desempenho da economia.
