A ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira, 12, durante um evento na Fundação Getúlio Vargas que não é “boba” e que sabe que existe preconceito contra ela. “Há [preconceito] por ser juíza? Sim. Por ter chegado a uma determinada situação? Às vezes, muito mais. Mas eu não sou nem um pouco cega para não ver que em outros lugares em que mulheres que tiveram muito menos oportunidade também houve muito maior preconceito e que, muitas vezes, acontece isso porque as mulheres não reagem, até por conveniência”.
Ainda durante o evento, a ministra argumentou que o Direito não resolve os problemas de preconceito e sim a sociedade aprendendo a lidar com ele. Para isso, exemplificou suas visitas a penitenciárias, onde diz ter verificado que a condição das mulheres é muito mais difícil que a dos homens. “A fila de visita a mulheres não tem quase ninguém porque muitas vezes os chefes daquelas famílias proíbem até mesmo as mães de visitarem as filhas. Que sociedade teremos com essa falta de olhar? Que sociedade queremos ter para que a gente mude?”.
Em sua conta pessoal no Twitter, a juíza Ludmila Lins Grilo do Rio de Janeiro, respondeu a fala da ex-presidente do STF.
Não existe esse preconceito generalizado. Vivo entrando em presídio, passo em todas as celas, interrogo traficante, ouço PMs (todos homens), os advogados são muito respeitosos e minhas decisões são cumpridas normalmente - inclusive pelos homens. https://t.co/0KMbeeg90i
— Ludmila Lins Grilo (@ludmilagrilo) 13 de novembro de 2018