Porto Velho, RO - Convidado como palestrante no I Fórum Estadual de Segurança Pública em Rondônia, o atual Ministro da Defesa, o general Joaquim Silva e Luna, comentou os desafios enfrentados na área e criticou o uso das cadeias nacionais, transformadas em verdadeiros "escritórios ao crime organizado". O ministro palestrou na manhã da última quarta-feira (5) em Porto Velho.
Segundo Joaquim Luna, a segurança nas fronteiras nacionais é o maior desafio do país no momento. Para ele, a realização do fórum permitiu conscientizar a população acerca do problema, além de estimular a participação de toda a sociedade em busca de uma solução.
“O estado federado e o Estado brasileiro têm que colocar mais recursos e criar estruturas mais robustas para poder enfrentar isso. A quantidade de perdas humanas que temos no Brasil por ano é inaceitável. Temos que sair da indignação e partir à ação. É preciso uma ação integrada com informações, busca de soluções e sugestões”, afirmou o ministro.
Ciente dos 15.735 quilômetros de fronteira terrestre, Joaquim Luna destacou a necessidade de implantar ações de inteligência para combater o crime nessas áreas.
“Precisamos tentar fechar essa porta de entrada do crime que são nossas fronteiras tão permeáveis. Precisamos criar meios que não dá para ser com recursos humanos, mas com meios tecnológicos para fazer face a esse grande desafio”, disse o general da reserva.
Superlotação nas cadeias
Durante o evento, Joaquim Luna também comentou sobre a superlotação dentro dos presídios nacionais e os efeitos no recrutamento de membros para facções criminosas.
“Esse pessoal (apenados) têm usado a própria prisão para fazer um escritório do crime. A partir dali eles conduzem toda as suas operações", disse o ministro.
"Como o crime no Brasil se nacionalizou, temos facções que estavam restritas a São Paulo e Rio de Janeiro que, agora, agora estão no país inteiro. Rondônia é um caso específico, onde PCC e Comando Vermelho já estão aqui. Esse tipo de crime vai gerando outros subprodutos, facções menores”, explicou o ministro