
A Câmara Municipal de Porto Velho diz que não tem dinheiro para pagar direitos de servidores que se aposentaram há três, quatro anos ou mais, mas, estranhamente, insiste em criar novas fontes de despesas, com nomeações para cargos comissionados, como revela o Decreto nº. 044, de 22 de janeiro deste ano. Só de uma canetada foram dezenove.
Em dezembro do ano passado, a Câmara Municipal aumentou a Cota da Atividade Parlamentar devida aos vereadores, passando de R$ 60 mil para R$ 80 mil, a partir de janeiro de 2026, conforme dispõe a Resolução nº. 759, de 22 de dezembro de 2025, que alterou o art. 17 da Resolução nº. 743, de 25 de agosto de 2025, um acréscimo de quase 35%.
Alguns aposentados morreram e não viram a cor do dinheiro, um direito legítimo de pessoas que dedicaram a maior parte de suas vidas à causa pública. Outros, entraram na Justiça. Outros, ainda, tentam receber os atrasados, amigavelmente, mesmo que para isso tenham que se submeter a humilhações, traduzidas em horas de espera para ouvir desculpadas esfarrapadas, do tipo “agora não é possível, mas prometo pagar daqui a dois meses”. Passado o tempo, fica o dito pelo não dito, e o aposentado, para chegar, novamente, a quem tem a chave do cofre é obrigado a enfrentar uma espécie de corredor polonês. Isso é uma tremenda afronta à dignidade humana. Quer dizer, não tem dinheiro para pagar direitos de aposentados, mas tem para inchar a folha de pagamento com novas contratações. É isso?
(*) Por Valdemir Caldas