O Brasil mais parece uma árvore centenária – bonita por fora, mas podre por dentro, completamente destruída pela ação do vírus da corrupção. E o pior é que ainda não se encontrou um veneno eficiente para exterminar essa praga. Enquanto isso, a corrupção vai ganhando corpo, aperfeiçoando suas estruturas, gerando novas crias e soltando-as no pasto. É triste admitir, mas o Brasil aprendeu a dizer sim à corrupção. A roubalheira deixou de ser tratada como crime para tornar-se um estilo de vida de muitas pessoas. Rouba-se com a mesma facilidade com que se tira um pirulito da boca de uma criança, abroquelado na certeza da impunidade. Meter as mãos sujas no erário tornou-se algo natural. A corrupção não só foi instituída, no Brasil, como também aceita sem contestação.
Exemplo disso pode ser observado no escândalo do Banco Master. Infelizmente, ainda tem pessoas que acham que o empresário Daniel Vorcaro é inocente, que não cometeu nenhum crime. Para esses, Vorcaro teria sido apenas mais uma vítima de concorrentes invejosos, no mundo cada vez mais competitivo e brutal dos negócios, dispostos, por isso mesmo, a qualquer sacrifício para vê-lo pelas costas. Os adeptos do jeitinho e da malandragem acreditam cegamente que Vorcaro é um homem de mãos e consciência limpas, incapaz de roubar um centavo de alguém, quanto mais R$ 48 bilhões. O jatinho e as mansões foram comprados com dinheiro limpo, resultado de anos e anos de trabalho duro, assim com as viagens, os presentes caros e as festas de arromba que ele promovia para políticos, autoridades da República e empresários.
Aí do homem por que vem o escândalo. Essa passagem está no livro de Mateus, 18,7. Segundo estudiosos da Bíblia, esse “Aí” significa lamento, tristeza castigo iminente. O versículo ensina que há um juízo severo para quem causa tropeço ou danos aos seus semelhantes. Os patrocinadores e beneficiários de escândalos como o do Banco Master, do INSS e tantos outros podem até escapar da justiça dos homens, mas jamais conseguirão escapar do juízo Divino.
Valdemir Caldas