
“Quando poucos estavam dispostos a enfrentar”
Para Galdiana, o avanço da discussão confirma a importância da mobilização iniciada pela categoria.
Ela ressalta que recebe com satisfação a participação de novas entidades e representantes na defesa dos Oficiais de Justiça. O que considera necessário, porém, é que a construção dessa luta não seja apagada.
“Hoje é fácil defender uma causa que ganhou força e chegou ao Supremo. Difícil foi estar lá no começo, quando era preciso colocar o nome, a responsabilidade e a instituição à frente da batalha. Eu tenho muito orgulho de ter tido essa coragem.”
A ex-presidente da AOJUS-RO também rejeita transformar o episódio em uma disputa pessoal.
Para ela, o mais importante é que os Oficiais de Justiça sejam protegidos e que as instituições reconheçam a importância da categoria para o funcionamento do Judiciário.
Mas união, segundo Galdiana, não significa reescrever a história.
“Todos que chegarem para fortalecer essa luta serão importantes. A categoria precisa de união. Mas reconhecer quem chegou depois não exige apagar quem teve coragem de começar.”
ADI 7.681 pode produzir impacto nacional
A questão ultrapassou as fronteiras de Rondônia.
O julgamento da ADI 7.681 poderá definir os limites da atuação dos estados na transferência de atos de comunicação processual para serventias extrajudiciais, razão pela qual Oficiais de Justiça de outras partes do país também acompanham a discussão.
A própria AOJUS-RO continuou defendendo publicamente essa posição. Em carta aberta publicada em dezembro de 2025, a Associação afirmou que já havia levado seus argumentos ao TJRO por requerimentos, reuniões e grupos de trabalho e reiterou sua posição contrária à transferência dessas atribuições.
Para Galdiana Silva, independentemente de quem esteja hoje ocupando os espaços de representação, uma coisa não pode mudar:
“Cargo passa. Gestão passa. Mas aquilo que você teve coragem de fazer pela sua categoria fica na história. E a história não precisa de dono. Precisa de verdade.”
Uma batalha ainda em curso
Em agosto de 2026, a ADI 7.681 voltou ao centro das atenções em Rondônia. PGR e AGU sustentam a inconstitucionalidade das normas questionadas, enquanto a decisão definitiva está nas mãos do Supremo.
Para os Oficiais de Justiça, portanto, a batalha ainda não terminou.
E para Galdiana, preservar a memória de como ela começou também é uma forma de valorizar aqueles que decidiram lutar quando o resultado ainda estava longe de ser conhecido.
“Não apareci depois da luta. Eu estava lá quando foi preciso ter coragem para lutar.”