Para 87% dos brasileiros, o país está mais aberto a modelos de relacionamento diversos do que há 5 anos



Para 87% dos brasileiros, o país está mais aberto a modelos de relacionamento diversos do que há 5 anos

Pesquisa inédita do Sexlog mostra uma virada cultural no modo como o brasileiro entende vínculos afetivos e o que está por trás dessa mudança.

A pergunta que definia o relacionamento ideal no Brasil por décadas era simples: você é fiel? Uma nova pesquisa do Sexlog, maior site de sexo e swing da América Latina, sugere que essa pergunta está sendo trocada por outra: você é honesto?

O levantamento, realizado com 3.480 respondentes de todos os estados brasileiros, revela que 86,7% das pessoas percebem que a sociedade está mais aberta a modelos de relacionamento diversos do que estava há cinco anos. Entre esses, 42,4% dizem que a abertura é "muito maior" e não apenas incremental.

O dado é expressivo por sua amplitude: abrange homens, mulheres e casais; diferentes faixas etárias; e respondentes de todas as regiões do país.

O que os números mostram

A maioria dos brasileiros, 86,7%, tem a percepção de que a sociedade está mais aberta a modelos de relacionamento diversos do que há 5 anos. Ao mesmo tempo, 42,4% dizem que essa abertura é "muito maior" e não "um pouco maior". Aqueles que definem os relacionamentos abertos como uma escolha legítima de vida são 43,1%.

Sobre o tema exclusividade, 9,7% consideram que a exclusividade sexual é indispensável no relacionamento. Já 71,6% apontam que, mais do que a exclusividade, a confiança é o fator principal na relação.

Para a neuropsicanalista clínica e especialista em relações contemporâneas Sanny Rodrigues, os dados confirmam uma mudança que ela já observava no cotidiano do seu trabalho. "Há alguns anos, a maioria das pessoas chegava até mim para falar sobre não-monogamia com vergonha, como se estivesse confessando algo errado. Hoje, chegam com curiosidade genuína, querendo entender como fazer isso de forma saudável. A pergunta mudou de 'isso é errado?' para 'como eu faço isso bem?'. Isso é abertura social acontecendo na prática."

Sanny também aponta que as redes sociais trazem algo muito importante, a representatividade. "As pessoas hoje encontram conteúdo, perfis de relacionamentos abertos em apps, terapeutas e comunidades que normalizam modelos diferentes, algo que não existia há uma década. Quando você vê que não está sozinho, o medo de ser julgado diminui. E isso abre espaço para a pergunta mais importante: o que realmente funciona para mim, não o que a sociedade espera de mim”, diz.

Confiança é a base de tudo

Um dos dados mais reveladores da pesquisa é a distância entre o que os brasileiros consideram indispensável em um relacionamento: confiança (71,6%) e comunicação aberta (70,3%) lideram com folga, enquanto exclusividade sexual aparece com apenas 9,7%, atrás de maturidade emocional (58,5%) e limites combinados (48,5%).

Para Sanny, os números não surpreendem, mas confirma algo que ela observa com frequência no consultório. "Exclusividade é uma regra, já confiança e comunicação são construções. E construção exige presença, não apenas ausência de outras pessoas. O que esse número mostra é que o Brasil está amadurecendo na forma de entender vínculo: relacionamento saudável não se mede pela exclusividade sexual, mas pela qualidade da conexão e da honestidade entre as pessoas envolvidas."

O preconceito ainda existe

A pesquisa também revela uma tensão relevante: mesmo num cenário de maior abertura, 27,2% dos respondentes dizem já ter sofrido julgamento pelo modelo de relacionamento que escolheu. Para Sanny, os dois dados não se contradizem. "Abertura social não significa ausência de julgamento, mas que existe mais espaço para resistir a ele. As pessoas estão mais dispostas a viver seus modelos de relacionamento mesmo sabendo que vão enfrentar julgamento. Isso é coragem, não ausência de preconceito. O preconceito ainda existe; o que mudou é que ele já não é suficiente para impedir as pessoas de serem quem são", afirma.

O que define este momento

Quando perguntada sobre como definiria o momento que o Brasil está vivendo em relação às formas de amar, Sanny foi direta: "O Brasil está deixando de perguntar 'como devemos amar' para perguntar: como queremos amar. E essa mudança, sozinha, já é revolucionária”, conclui.

Sobre o Sexlog

O Sexlog é a maior rede social adulta da América Latina, reunindo 25 milhões de usuários que buscam explorar sua sexualidade de forma livre, segura e sem julgamentos. A plataforma conecta pessoas com interesses em comum e promove discussões sobre comportamento, relacionamentos e sexualidade



Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

Noticias da Semana

Veja +