Redação, Porto Velho RO, 1º de agosto de 2026 - O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória política em Rondônia. A poucos dias do início oficial da campanha eleitoral, a legenda enfrenta uma sequência de reviravoltas que expôs divergências internas, provocou incertezas sobre sua estratégia e levantou dúvidas quanto à capacidade do partido de manter o protagonismo que exerceu durante décadas na política estadual.
As mudanças ocorreram em rápida sucessão. Após o enfraquecimento do cenário envolvendo o senador Confúcio Moura, que permanece concentrado em seu projeto ao Senado, cresceram as especulações sobre um possível retorno do ex-senador e ex-ministro Amir Lando ao centro das decisões do MDB. Ao mesmo tempo, a manutenção da candidatura do empresário Pedro Abib ao Governo passou a ser alvo de questionamentos dentro da própria legenda.
Amir Lando volta ao centro das articulações

Reconhecido como um dos principais quadros históricos do MDB, Amir Lando voltou a ser citado como alternativa para fortalecer a chapa majoritária ou disputar uma vaga ao Senado. Nos bastidores, dirigentes avaliam que seu currículo político, sua experiência e seu prestígio institucional poderiam devolver competitividade ao partido em um momento de evidente desgaste.
Além de ex-senador, Amir foi ministro da Previdência Social e construiu uma trajetória marcada pela atuação em importantes comissões parlamentares de investigação. Seu nome continua sendo visto por setores do MDB como um patrimônio político capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.
Pedro Abib enfrenta dificuldades internas

Enquanto isso, a candidatura de Pedro Abib passou a enfrentar resistência crescente dentro do partido. Integrantes da legenda, ouvidos por veículos de imprensa, afirmam que o projeto ainda não conseguiu consolidar alianças políticas, estruturar uma base estadual consistente nem mobilizar plenamente os candidatos proporcionais.
Segundo essas informações, o empresário estaria enfrentando isolamento político justamente no momento em que a campanha exigiria maior capacidade de articulação. A ausência de uma composição robusta e as dificuldades para reunir lideranças estaduais aumentaram o clima de apreensão entre candidatos a deputado estadual e federal, alguns dos quais passaram a avaliar a viabilidade de permanecer na disputa.
Até o momento, Pedro Abib não se manifestou publicamente sobre as críticas divulgadas por integrantes do partido.
Confúcio concentra decisões estratégicas
Na condição de presidente estadual do MDB e candidato ao Senado, Confúcio Moura permanece como principal liderança da legenda em Rondônia. O comando partidário exercido pelo senador tem sido determinante para a definição dos rumos eleitorais da sigla, inclusive nas discussões sobre alianças e composição das chapas.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que a prioridade da direção estadual é fortalecer a candidatura de Confúcio ao Senado, preservando recursos, estrutura partidária e alianças consideradas estratégicas para essa disputa. Essas avaliações refletem relatos de bastidores e não representam o posicionamento oficial da direção do MDB.
Partido tenta evitar perda de protagonismo
Durante décadas, o MDB ocupou posição central na política rondoniense, elegendo governadores, senadores, deputados e prefeitos. Entretanto, o atual cenário é considerado por analistas como um dos mais desafiadores para a legenda desde a redemocratização.
A ascensão de partidos ligados ao campo conservador, a reorganização das forças políticas estaduais e a polarização nacional reduziram significativamente o espaço eleitoral tradicional do MDB em Rondônia, obrigando a legenda a buscar uma estratégia capaz de preservar sua influência.