Sinceramente, eu não queria estar na pele de candidatos e cabos eleitorais, nem por um minuto, na hora de encarar o eleitor para pedir-lhe o voto. A grita é geral. O que tem de gente reclamando dos políticos, não é brincadeira. Quando o assunto é eleição, o palavrão está na ponta da língua. Xingar não resolve. A saída está na urna eletrônica. Essa é uma das vantagens da democracia, ou seja, a liberdade de escolhermos nossos representantes.
É compreensível a desilusão de parte do eleitor com partidos e políticos por motivos fartamente conhecidos da opinião pública, contudo, o político não pode ser responsabilizado pelos votos que recebeu. Ninguém chega ao Congresso Nacional por acaso. Todos os que lá têm assento foram eleitos por nós. Durante a campanha eleitoral, as promessas se repetem e muitos eleitores, por desleixo ou má-fé, acabam votando nos mesmos farsantes que eles tanto criticaram. O problema é que muitos eleitores levam o ato de votar na base da galhofa.
Votar é coisa séria. Tem gente que vota no candidato só porque ele aparece entre os primeiros colocados nas pesquisas eleitorais, ou seja, vota de acordo com as pesquisas, esquecendo-se de que, no Brasil, as pesquisas eleitorais são cada vez menos confiáveis. Há, também, os que votam porque o amigo pediu ou, então, pela promessa de uma boquinha no serviço público para um parente, quando, na verdade, deveriam procurar saber o que o candidato pensa, conhecer a carreira dele, sua atuação profissional, seu histórico de vida, sua postura ética e sua conduta diante da sociedade.
Conheço pessoas esclarecidas, dotadas de elevado nível de informação e escolaridade, que, movidas pelo sentimento de profunda decepção, ameaçam jogar a toalha e deixar as urnas para uma pequena elite econômica. Quem quer mudança precisa participar do processo eleitoral, votando com consciência, e não trocando seu voto por prebendas. Se o candidato que você ajudou a eleger na eleição passada não correspondeu às suas expectativas, a hora de mudar é agora, comparecendo à seção eleitoral e riscando-o definitivamente do mapa político.
Valdemir Caldas