
A decisão da Câmara Municipal de Ji-Paraná de rejeitar o pedido de cassação do mandato do vereador William Cândido (Republicanos), mesmo após condenação judicial por assédio sexual e importunação sexual em primeira instância, provocou forte repercussão e ampliou o debate sobre os limites da responsabilidade política dos agentes públicos. Para muitos moradores, a permanência do parlamentar no cargo transmite uma mensagem de tolerância com condutas incompatíveis com a função pública e enfraquece a confiança nas instituições.
O pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar foi analisado em sessão especial realizada nesta quinta-feira (16), mas acabou rejeitado pela maioria dos vereadores. Com isso, William Cândido permanece no exercício do mandato, apesar de ter sido condenado pela Justiça pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual, relacionados a fatos ocorridos quando atuava como vigia de um abrigo municipal. Conforme a sentença, ainda passível de recurso, o parlamentar utilizou sua posição funcional para praticar abusos contra vítimas acolhidas na instituição.
A situação ganhou ainda mais repercussão após outro episódio envolvendo o vereador. Em 2025, ele foi denunciado por uma vizinha por supostamente praticar ato obsceno em via pública, fato que levou a Câmara a divulgar uma nota classificando o comportamento como "inaceitável". Na ocasião, o parlamentar chegou a se afastar temporariamente do cargo para concentrar sua defesa. A defesa sustenta que as acusações são infundadas e que a condenação ainda não transitou em julgado.
A manutenção do mandato, entretanto, reacendeu críticas de diversos setores da sociedade. Juridicamente, uma condenação ainda sujeita a recursos não implica, por si só, a perda automática do cargo eletivo. No entanto, a análise sobre eventual quebra de decoro parlamentar possui natureza política e é de competência da própria Câmara Municipal, que decidiu arquivar a representação.
O caso evidencia um debate que vai além da esfera judicial. Para parcela significativa da população, a ausência de uma resposta política mais rigorosa diante de fatos dessa gravidade contribui para a sensação de impunidade, que pode estimular a repetição de condutas incompatíveis com a vida pública e comprometer a credibilidade das instituições perante a sociedade. A permanência de agentes públicos envolvidos em casos de grande repercussão costuma gerar descrença no sistema de responsabilização e aumenta o sentimento de indignação entre os cidadãos, especialmente quando as acusações dizem respeito a crimes de natureza sexual. Essa percepção, contudo, representa uma avaliação presente no debate público e não substitui o devido processo legal, que continua em andamento.
Fonte: noticiastudoaqui.com