Créditos milionários acendem alerta sobre saúde fiscal de Rondônia e reforçam temor de futuro governo sob pressão financeira



Créditos milionários acendem alerta sobre saúde fiscal de Rondônia e reforçam temor de futuro governo sob pressão financeira

Redação, Porto Velho RO, 19 de junho de 2026 - A sequência de aprovações de créditos suplementares e reforços orçamentários para órgãos da administração estadual voltou a acender o debate sobre a real situação das finanças públicas de Rondônia.

Nos últimos dias, a Assembleia Legislativa autorizou novos aportes milionários para diferentes setores da máquina pública, incluindo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), com R$ 51,2 milhões e a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Rondônia (Agero), com R$ 2.8 milhões, ampliando um movimento que vem marcando a atual gestão estadual.

Isso, sem falar no critério vigente de partilha do PIB estadual entre os poderes e órgãos federativos, onde o Poder Judiciário, por exemplo, fica com 12% do orçamento anual do estado, enquanto Santa Catarina, muito mais rico, só passa 3,9%.

O cenário ganha ainda mais relevância diante das declarações do ex-secretário de Finanças do Estado, Luiz Fernando, que tem alertado para o fato de que as contas públicas rondonienses estariam operando no limite suportável, pressionadas pelo crescimento das despesas permanentes, especialmente com pessoal, estrutura administrativa e novas contratações. A avaliação do ex-gestor encontra eco em setores da classe política e econômica que acompanham a evolução dos gastos estaduais.

No campo político, o tema foi incorporado ao discurso do senador Marcos Rogério, pré-candidato ao Governo de Rondônia, que tem afirmado publicamente que o próximo governador encontrará uma administração financeiramente pressionada e com reduzida capacidade de investimento. Segundo o senador, quem assumir o comando do Palácio Rio Madeira após as eleições terá como uma das principais missões reorganizar as finanças estaduais para evitar desequilíbrios que possam comprometer a capacidade de pagamento do Estado, incluindo a folha salarial do funcionalismo.

Os alertas surgem em um momento em que o orçamento estadual alcança cifras recordes. A Lei Orçamentária de 2026 prevê movimentação superior a R$ 18,6 bilhões, enquanto sucessivas autorizações legislativas vêm ampliando dotações para diversos órgãos e programas governamentais.

Embora o governo sustente que os créditos aprovados visam fortalecer serviços públicos, modernizar estruturas e ampliar investimentos estratégicos, críticos da atual gestão argumentam que a expansão contínua das despesas correntes pode comprometer a sustentabilidade fiscal no médio e longo prazo. O receio é que o crescimento dos gastos obrigatórios reduza a margem financeira necessária para enfrentar eventuais quedas de arrecadação ou oscilações econômicas, já que as reservas do estado estão baixas.

Nos bastidores da política estadual, cresce a preocupação de que o próximo governador herde uma estrutura administrativa mais pesada e com menor capacidade de ajuste. Para especialistas em finanças públicas, o desafio não estará apenas em manter investimentos e serviços, mas principalmente em garantir equilíbrio fiscal, preservar a capacidade de pagamento dos servidores e evitar que Rondônia enfrente dificuldades semelhantes às registradas em outros estados brasileiros que perderam o controle sobre suas despesas obrigatórias.

Com o avanço do calendário eleitoral, a situação das contas públicas tende a ocupar o centro do debate político. Enquanto o governo destaca investimentos e expansão de serviços, adversários apontam sinais de esgotamento fiscal e cobram maior responsabilidade na gestão dos recursos públicos. O resultado desse embate poderá influenciar diretamente a percepção dos eleitores sobre o legado da atual administração e os desafios que aguardam o próximo ocupante do Palácio Rio Madeira.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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