Exército celebra os 250 anos do Forte Príncipe da Beira, marco da preservação das fronteiras brasileiras na Amazônia



Exército celebra os 250 anos do Forte Príncipe da Beira, marco da preservação das fronteiras brasileiras na Amazônia

Costa Marques (RO) - O Brasil é um país-continente, com uma extensão territorial que o alça à condição de quinto maior do mundo. Essa vastidão foi conquistada e mantida no passado, graças ao empenho de homens com espírito desbravador e também pela edificação de estruturas defensivas como o Forte Príncipe da Beira, no estado de Rondônia, na fronteira com a Bolívia, que está completando 250 anos de uma rica história.

No dia 20 de junho, uma formatura marcada por simbolismo e reverência à memória dos nossos antepassados foi realizada na cidade rondoniense de Costa Marques, onde está localizado o forte, a 730 km da capital do estado, Porto Velho (RO). A cerimônia foi um tributo àqueles que alcançaram um grande feito da engenharia militar, erigindo em plena floresta amazônica e com poucos recursos tecnológicos disponíveis a maior edificação militar portuguesa fora da Europa durante o período colonial, construída entre 1776 e 1783.

A formatura foi presidida pelo Chefe do Departamento-Geral do Pessoal, General de Exército Luiz Fernando Estorilho Baganha, contando com as presenças de integrantes do Alto-Comando do Exército, além de autoridades civis e militares, como a Embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa.

Estiveram em forma, aos pés do imponente portal de entrada do forte, com 10 metros de altura, militares da 17ª Brigada de Infantaria de Selva (17ª Bda Inf Sl), sediada em Porto Velho, incluindo efetivos do 1º Pelotão Especial de Fronteira, subordinado ao 6° Batalhão de Infantaria de Selva (Guajará-Mirim-RO), herdeiro da missão de guarda do Forte Príncipe da Beira, bem como um grupamento trajando uniformes históricos especiais.

Um dos momentos marcantes da solenidade foi a colocação de uma coroa de flores no busto do Governador da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, que escolheu o local para a construção do forte. Também foi inaugurada uma placa comemorativa aos 250 anos da fortificação.

Presente nessa ocasião, o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, falou a respeito da importância da data e do legado deixado por aqueles que construíram o forte. “O Forte Príncipe da Beira é um marco da engenharia militar e exemplo vivo da nossa história, preservada pelo Exército Brasileiro. Essa construção nos remete à famosa frase do General Rodrigo Octávio, que dizia ser árdua a missão de desenvolver e defender a Amazônia, porém muito mais difícil foi a missão de nossos antepassados de conquistá-la e mantê-la. É nossa missão dar continuidade a esse legado”, ressaltou.

Cenário de disputas territoriais entre as coroas de Portugal e da Espanha

O contexto da construção do Forte Príncipe da Beira foi o das disputas territoriais entre as coroas portuguesa e espanhola no século XVIII. A partir da concepção de que a permanência na terra e não mais de linhas demarcatórias em mapas garantia a soberania sobre um território, os portugueses, sob as ordens do Marquês de Pombal, começaram a erguer fortificações na então colônia brasileira, com o intuito de impedir invasões estrangeiras em busca de riquezas brasileiras.

A posição estratégica às margens do rio Guaporé, porta de entrada para o oeste amazônico e o ouro encontrado na região, determinou o local para a construção do forte, que tem 970 metros de perímetro, muralhas laterais de 7,20 metros de altura e quatro baluartes com capacidade para receber 14 canhões cada um. Foram utilizados modelos europeus de fortificações, porém adaptadas às condições tropicais, fazendo surgir soluções inovadoras na engenharia militar.

Pesquisador e autor de artigos sobre o Príncipe da Beira, o historiador Lourismar Barroso destaca o papel do Marechal Rondon para a preservação da história do forte, patrimônio histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Após a edificação já em ruínas e tomada por vegetação da selva ser “redescoberta” em uma expedição do Almirante José Carlos de Carvalho, em 1913, Rondon comandou uma inspeção de fronteira que chegou ao local em 1917, feito registrado em sua caderneta de bolso. Em 1930, o futuro Patrono das Comunicações coordenou a limpeza do local, onde foi criado pelo Exército, dois anos depois, um Pelotão Especial de Fronteira, que preserva a fortificação até os dias atuais.

Apresentação cultural exalta importância histórica do forte

Ainda dentro das comemorações dos dois séculos e meio de história do Forte Príncipe da Beira, foi realizada uma apresentação cultural no Teatro Palácio das Artes, em Porto Velho, no dia 19 de junho. Com presenças de autoridades civis e militares, o evento contou com uma apresentação da Banda de Música da 17ª Bda Inf Sl que tocou com instrumentistas da Base Aérea de Porto Velho e Polícia Militar do Estado de Rondônia, executando canções que enfatizaram a brasilidade e aspectos da cultura rondoniense.


Ainda durante o evento, foram lançados pelos Correios um selo e um carimbo comemorativos aos 250 anos do forte. Além disso, a Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira lançou o livro “Tributo aos vultos históricos” e premiou alunos de escolas locais que se destacaram em concurso literário a respeito da efeméride

(exercitobrasileiro)



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