Redação, Porto Velho RO, 12 de agosto de 2026 - O aluguel de uma balsa para garantir a travessia de moradores da região ribeirinha de Porto Velho pelo córrego Jacu da Vala já consumiu aproximadamente R$ 10,9 milhões dos cofres públicos. O valor foi revelado em despacho do Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO), durante análise das obras da ponte localizada na Estrada da Penal.
A situação se arrasta há cerca de oito anos. A construção da ponte começou em 2018, durante a gestão do então governador Confúcio Moura, mas apresentou problemas estruturais e acabou interditada. Desde então, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER) mantém a travessia por meio de contratos sucessivos para operação da balsa.
O Tribunal de Contas questiona justamente a economicidade da solução adotada pelo poder público, diante da continuidade dos gastos ao longo dos anos. Segundo o órgão de controle, a despesa acumulada com as sucessivas contratações chegou a aproximadamente R$ 10,9 milhões, o que motivou a determinação de estudos para avaliar alternativas mais eficientes para resolver definitivamente o problema.
A dimensão do gasto chama atenção porque, conforme o próprio levantamento citado pelo Rondoniagora, os recursos empregados na manutenção da travessia poderiam ter representado uma alternativa para investimentos permanentes em infraestrutura. A reportagem aponta que, com esse montante, o Estado poderia ter construído três pontes de concreto.
O caso também envolve a empresa responsável pela construção original da ponte. A MSL Construções Eireli-ME foi obrigada a devolver R$ 5,59 milhões aos cofres públicos em razão da perda total da estrutura. A questão permanece judicializada. Somados os valores da obra inconclusa e da contratação da balsa, Rondônia já ultrapassou R$ 13 milhões em despesas relacionadas ao problema.
A travessia é estratégica para moradores de comunidades e distritos localizados ao longo dos rios Jamari e Madeira, sendo apontada como a única ligação para parte da população ribeirinha. Por isso, a manutenção do serviço de balsa atende a uma necessidade real da população, mas não elimina o questionamento sobre por que uma solução provisória se transformou em uma despesa milionária durante tantos anos.
Atualmente, uma nova empresa trabalha no local para reforçar a estrutura da ponte. Entretanto, ainda não existe previsão de conclusão definitiva da obra. O episódio expõe um problema recorrente na administração pública: quando uma solução emergencial se prolonga por anos, o custo da improvisação pode superar, e muito, o investimento necessário para resolver o problema de forma definitiva.
Fonte: noticiastudoaqui.com