Em Rondônia, Rio Madeira baixa a 1,98 metro, o menor nível em mais de meio século



Com volume de carga reduzido e tráfego noturno proibido, combustível na região já está mais caro; situação deve melhorar só no final de setembro, aponta especialista

 

Os danos causados pela seca severa que assola diferentes partes do Brasil têm causado prejuízos a quem depende de transportes fluviais na região Norte. Em Rondônia, o Madeira, um dos principais rios do país, baixou a 1,98 metro nesta quinta-feira (22). A marca é a menor para um mês de agosto em 57 anos, desde que os níveis do curso d'água começaram a ser monitorados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

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Há dois meses, não há chuva significativa na capital Porto Velho, trecho em que imensos bancos de areia se formaram. Dados do SGB previam que o nível médio para o período variasse em torno de 4 metros. Com a estiagem prolongada, o rio tem ficado 2 metros abaixo do esperado, o que resulta em acúmulo de sedimentos no leito do Madeira e bloqueia o escoamento de água.

Veja fotos do Rio Madeira, em Rondônia, que enfrenta seca histórica em 2024

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— É uma cota muito baixa para esse momento do ano. Se analisarmos todos os dias 22 de agosto de anos anteriores, desde 1967 até hoje, o nível do rio nunca esteve em 1,98 metro ao longo desse intervalo. É a marca mais baixa para essa época do ano — detalha o engenheiro hidrológico do SGB, Marcus Suassuna.

A conjuntura atual, explica Marcus, é motivada pelos baixos índices de precipitações somado à "herança da última seca", quando o rio chegou a registrar 1,10 metro, em outubro de 2023.

— No começo de 2024, o rio já estava com o nível muito baixo. Houve um grande atraso no início da estação chuvosa (que, normalmente, vai de outubro a março), em 2023, e o período de chuva todo, ao longo deste ano, foi muito fraco.

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Diante disso, na melhor das hipóteses, o quadro de seca se mantém até o final de setembro.

— Não há o que fazer, é preciso aguardar o início da estação chuvosa. As previsões climatológicas, de diferentes agências, indicam que ela deve começar no final de setembro ou, ainda, sofrer atraso. O cenário é desfavorável — alerta o engenheiro.

Com o leito rochoso à mostra, o maior impacto é sentindo na navegação. De Porto Velho à foz do rio Amazonas são aproximadamente 1.345 km de trechos navegáveis. Na capital do estado, além de operações com volumes de cargas reduzidos para garantir a segurança, o tráfego noturno está proibido.

— Esse é o principal meio de chegada e saída de vários produtos na cidade. Chega bastante combustível, e saem muitas commodities agrícolas. Com o Rio Madeira nessas condições, o fluxo fica bem prejudicado e, geralmente, caro, porque as embarcações têm que ir "aliviadas" e fazer mais viagens para transportar os produtos — explica o especialista.

O resultado dos atrasos na logística dos transportes aquaviários reflete também no bolso dos moradores do entorno.

— A população local sente o aumento do preço do óleo e da gasolina. É uma consequência do valor do frete, que também subiu. Os combustíveis já encareceram esse ano, desde junho e julho — pondera Suassuna.

Outro risco severo, aponta o engenheiro, está na geração de energia elétrica.

— Em Porto Velho, há a Usina Hidrelétrica de Jirau e a Usina de Santo Antônio, que são muito grandes. No ano passado, por exemplo, a de Santo Antônio parou de gerar energia durante o pico da seca — relembra.

Diante da mínima histórica, a Prefeitura de Porto Velho informou ao GLOBO que, frente ao "período crítico de seca extrema", a Defesa Civil do município tem recomendado somente "o uso essencial de água" e fez um apelo aos moradores: "evitem o desperdício".

(oglobo)



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