
O modelo selecionado no certame — ViewPlus Columbia, representado pela empresa Exittus — está no centro das críticas de técnicos e especialistas. Laudos independentes, perícias judiciais e testes oficiais apontam que a impressora não consegue imprimir livros didáticos completos em Braille sem travar e apresenta desempenho de impressão até quatro vezes inferior ao mínimo exigido no edital.
Além disso, o equipamento não é compatível com o software Braille Fácil, ferramenta padrão usada em escolas e criada pelo Ministério da Educação para produção de material pedagógico em Braille. Essa incompatibilidade compromete seriamente seu uso pelos professores de educação especial e dificulta a produção de conteúdos adaptados para estudantes com deficiência visual.
Processo questionado
Uma das maiores polêmicas envolve a metodologia de testes adotada pela Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (SEDUC). Para aferir velocidade de impressão, os técnicos teriam usado repetidas vezes apenas a letra “a”, um teste que especialistas consideram insuficiente para representar o complexo sistema de escrita em Braille. Isso teria inflado os resultados e mascarado o desempenho real do equipamento.
Também foram registradas irregularidades no cumprimento do edital, como o uso de um acessório externo (Tiger Box) para compensar funcionalidades que deveriam estar integradas ao equipamento, e a falta de experiência comprovada da empresa vencedora no fornecimento desse tipo de tecnologia ao setor público.
Inclusão escolar
Apesar de todos os trâmites administrativos, as impressoras ainda não foram entregues às escolas estaduais, o que significa que alunos cegos seguem sem acesso a material pedagógico adaptado, dificultando seu aprendizado e inclusão. Professores da educação especial continuam trabalhando sem os recursos previstos.
O caso foi oficialmente encaminhado ao Ministério Público de Rondônia e ao Tribunal de Contas do Estado, que já receberam documentos apontando possíveis manipulações e indícios de favorecimento. A denúncia também ressalta o potencial “desperdício de dinheiro público” e o prejuízo pedagógico causado aos estudantes com deficiência visual.
Debate sobre inclusão
A licitação previa a entrega de 209 impressoras, o que, segundo especialistas, representaria cerca de 10% da produção mundial anual desse tipo de equipamento — um indicativo da grande escala do contrato e da importância de sua correta execução.
Enquanto o processo segue tramitando, movimentos em defesa da acessibilidade destacam a urgência de políticas públicas eficazes para garantir que a educação inclusiva deixe de ser apenas promessa. A discussão também enfatiza a necessidade de transparência nos processos licitatórios e maior participação de especialistas da área na definição de especificações técnicas para produtos que impactam diretamente a vida de pessoas com deficiência visual.
Fonte: noticiastudoaqui.com