Moraes arquiva investigação da “Abin paralela” contra Bolsonaro



Moraes arquiva investigação da “Abin paralela” contra Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (20) o arquivamento das investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) no âmbito do caso conhecido como "Abin paralela".

A medida foi tomada porque ambos já foram condenados pela Primeira Turma do STF pelos mesmos fatos na ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.

Na mesma decisão, o ministro determinou o envio da investigação ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) em relação ao ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e outros investigados que não possuem foro por prerrogativa de função no Supremo.

O inquérito apurou a existência de um suposto esquema Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que era comandada por Ramagem à época, para monitorar ilegalmente adversários políticos com o uso do software espião FirstMile, entre 2019 e 2021.

O sistema permitia a geolocalização de dispositivos móveis em tempo real. Entre os alvos do monitoramento ilegal estavam quatro ministros do próprio STF: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, hoje aposentado da Corte.

Além dos magistrados, também teriam sido monitorados o deputado Arthur Lira (PP-AL), jornalistas e servidores públicos. Segundo o relatório da Polícia Federal, o grupo buscava desacreditar a Justiça Eleitoral e contribuir para a alegada trama golpista.

No ano passado, a Polícia Federal indiciou 36 pessoas no relatório final sobre o caso, mas Bolsonaro não estava na lista, pois já respondia a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado.

Em junho deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu o envio à primeira instância dos fatos remanescentes da investigação envolvendo os investigados sem foro privilegiado.

Investigados por "Abin paralela" foram divididos em 3 grupos

O ministro arquivou o caso da “Abin paralela” contra os investigados que já foram condenados pelos mesmos fatos nos julgamentos sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.

Ele determinou o arquivamento e a revogação imediata dos indiciamentos do ex-diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa, e do ex-diretor-adjunto, Alessandro Moretti, por falta de provas.

O ministro afirmou que as acusações contra os dirigentes da Abin eram genéricas e não demonstravam dolo para embaraçar as investigações.

Já o processo contra Carlos Bolsonaro, apontado como integrante do "núcleo político" e coordenador do "Gabinete do Ódio", foi enviado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Outros assessores e operadores de redes sociais, inseridos no núcleo de propagação de notícias falsas, também passarão a ser processados na justiça comum.

Conexão com o inquérito das fake news

Moraes também determinou o compartilhamento integral das provas desta investigação com o inquérito das fake news, que apura a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros da Corte.

A decisão destaca a "integral conexão" entre o esquema de monitoramento ilegal na Abin e as atividades do "Gabinete do Ódio" na produção de desinformação contra as instituições democráticas.

(gazetadopovo)



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