Entrevista coletiva revela detalhes da Operação Outliers e afastamento de servidores públicos
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Na manhã desta terça-feira (27), a Delegacia Geral da Polícia Civil em Porto Velho sediou uma entrevista coletiva para esclarecer detalhes sobre a Operação Outliers. O Delegado Yuri Medeiros, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), apresentou informações sobre o esquema de extorsão envolvendo servidores da Prefeitura de Porto Velho, especificamente da Superintendência de Gastos Públicos (SGP), setor responsável pela fiscalização das despesas municipais, são investigados.
A operação, desenvolvida em conjunto pela Draco e pela delegacia de lavagem de dinheiro, teve início a partir de uma denúncia anônima. Segundo a informação recebida, os servidores da SGP estariam realizando extorsão e crime de concussão contra empresários do ramo de mecânica. Esses empresários eram coagidos a pagar uma porcentagem de 10% a 15% sobre os valores repassados pela Prefeitura para os serviços de conserto de automóveis.
Como resultado das investigações, foram realizadas quinze medidas de busca e apreensão, cinco prisões temporárias e outras ações de constrição patrimonial contra os servidores envolvidos. Além disso, houve o afastamento desses servidores de suas funções.
O Delegado Medeiros destacou a atuação conjunta entre a Polícia Civil e a Prefeitura de Porto Velho. "Apesar da denúncia anônima, houve um diálogo e compartilhamento de informações com a administração municipal, permitindo o avanço das investigações. A operação Outliers é uma resposta à sociedade e também aos bons servidores públicos, que representam a grande maioria no município".
O delegado Lawrence Lanchi, da delegacia de repressão e lavagem de dinheiro, explicou que os fatos investigados envolvem contratos de empresas para prestação de serviços e fornecimento de peças à frota do município. "Até o momento, foi identificado um direcionamento por parte dos servidores investigados, que manipulavam o acesso aos sistemas de gestão para beneficiar determinados grupos de empresas. Eles selecionavam as empresas vencedoras das licitações internas e distribuíam as responsabilidades entre as secretarias municipais".
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Ainda segundo Lawrence, as investigações continuam em andamento, e já foi possível identificar pagamentos realizados em favor dos servidores por pelo menos uma empresa. "Serão analisados todos os documentos arrecadados para verificar se o esquema possui uma proporção maior do que a atualmente identificada".
O Prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves também fez questão de ressaltar a natureza da investigação.
"Essa não é a primeira vez que se realiza uma coletiva de imprensa para divulgar ações conjuntas entre a Prefeitura de Porto Velho, a DRACO e a Polícia Civil de Rondônia. Apesar dos esforços para combater a corrupção no serviço público, a criminalidade se reorganiza, tornando necessário um combate incessante a essas práticas", concçuiu o prefeito.
(Natália Figueiredo - Diário da Amazônia)

