Rogério 157 mudou gerentes do tráfico na Rocinha de dentro de presídio federal



De dentro da penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, mudou gerentes do tráfico na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Em meados desse ano, o chefão destituiu José Carlos de Souza Silva, o Gênio, do posto de principal gerente da quadrilha na favela. O criminoso foi excluído por problemas na administração dos lucros. Para o lugar, Rogério alçou uma dupla que atualmente se divide na gerência: John Wallace da Silva Viana, o Johnny, chefia a parte baixa; já Leandro Pereira da Rocha, o Bambu, a parte alta. A mudança é investigada pela Polícia Civil.

Nesta segunda-feira, a invasão da Rocinha pelo bando de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, antecessor de Rogério no comando do tráfico na favela, completa um ano. Na ocasião, Rogério rompeu com o ex-aliado após receber a ordem para deixar o comando do tráfico da favela. Nem, então, segundo as investigações da Polícia Civil, ordenou a retomada da favela por aliados.

Isolado, Rogério 157 se aliou ao Comando Vermelho (CV), facção que domina a Rocinha até hoje. A quadrilha de Nem se aliou ao Terceiro Comando Puro (TCP) e, desde janeiro, não tentou novas invasões. No entanto, agentes que investigam a movimentação do tráfico na Rocinha sabem que parentes do ex-chefe da favela e antigos comparsas se mobilizam para retomar o território perdido.

Continua após a publicidade.

 

 Uma das linhas investigadas pela polícia segue os passos de parentes de Nem, que está preso desde novembro de 2011. Depoimentos que fazem parte de inquérito aberto pela 11ª DP (Rocinha) citam Adriano Cardoso da Silva, o Modelo, genro de Nem. Ele é apontado pela polícia como um dos participantes da guerra na favela. A polícia já sabe que ele esteve em São Paulo, em janeiro, em busca de apoio do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas não conseguiu. Paralelamente à busca por apoio, a facção também conta com a saída de aliados de Nem da cadeia.

Desde a guerra, a PM contabiliza 58 mortos e 25 feridos na Rocinha, entre policiais, moradores e criminosos. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) registra 596 episódios em que alguma de suas oito unidades na favela teve que interromper atividades, parcial ou integralmente. Por 24 vezes a suspensão foi total. Nesse período, o órgão recebeu 69 pedidos de desligamento de profissionais da Rocinha, 25 deles lotados na UPA da favela.

Continua após a publicidade.

Já a Secretaria municipal de Educação (SME) diz que, em 2017, em 15 dias letivos, pelo menos uma das nove escolas e creche da rede na comunidade precisou fechar por causa de tiroteio.

 

PM sabia de invasão

Continua após a publicidade.

No domingo, o EXTRA revelou que a PM sabia que havia risco de a invasão acontecer e não tomou medidas para impedi-la. Às 21h42 do dia 14 de setembro do ano passado, uma quinta-feira, três dias antes da invasão, um sargento lotado no setor de inteligência da UPP da favela relatou às coordenadorias de Inteligência (CI) e de Polícia Pacificadora (CPP) da corporação, num texto enviado por e-mail, detalhes da invasão iminente.

“Dados chegados a este núcleo de que haverá uma possível invasão na Rocinha de traficantes oriundos da própria com apoio de pessoal e armamento da Vila Vintém”, informa o início da mensagem.

O e-mail, entretanto, jamais passou da área de inteligência para a operacional. Segundo relataram ao EXTRA seis oficiais que integravam a cúpula da corporação na época, a mensagem nunca foi repassada ao então comandante da PM, coronel Wolney Dias, ou a integrantes do Estado-Maior.

Fonte: Extraglobo



Noticias da Semana

Veja +