Redação, Porto Velho RO, 30 de maio de 2026 - A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (29) a Operação Joio, uma ofensiva que revelou a existência de uma sofisticada rede criminosa especializada no desvio de cargas de soja e milho no Cone Sul de Rondônia. As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada, envolvendo funcionários de armazéns, transportadores e empresários em um esquema que utilizava documentos fraudulentos para dar aparência de legalidade ao transporte dos grãos furtados.
O caso começou a ser investigado após o proprietário de um armazém em Chupinguaia denunciar o desaparecimento de quatro cargas de soja e duas de milho. A partir das apurações, a Polícia Civil concluiu que não se tratava de episódios isolados, mas de uma organização criminosa com atuação articulada dentro da cadeia logística do agronegócio regional.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Porto Velho, Vilhena e Chupinguaia. Entre os alvos estão um empresário rural, um classificador de grãos e ex-funcionários ligados ao armazenamento e controle de cargas.
Segundo as investigações, o esquema funcionava com o aliciamento de funcionários responsáveis pelo controle de entrada e saída de caminhões nos armazéns. Os veículos eram liberados com ordens de carregamento aparentemente regulares, mas transportavam cargas desviadas sem emissão de nota fiscal. Posteriormente, os grãos eram “esquentados” por meio de documentos emitidos por empresas de fachada com CNPJ ativo, criadas para dar cobertura ao esquema criminoso.
A Polícia Civil apurou ainda que um produtor rural recebia as cargas desviadas e revendia os grãos ilegalmente como se fossem oriundos de sua própria produção agrícola. O modelo criminoso demonstra elevado grau de organização e levanta preocupação no setor agropecuário, especialmente diante da importância econômica da produção de soja e milho para Rondônia.
Investigadores destacam que crimes dessa natureza causam prejuízos milionários, afetam a credibilidade do setor produtivo e comprometem a segurança logística do agronegócio. O esquema também evidencia a infiltração de organizações criminosas em segmentos estratégicos da economia regional, utilizando fraude documental, corrupção interna e empresas fictícias para ocultar a origem ilícita das cargas.
A Operação Joio segue em andamento e a Polícia Civil não descarta novas fases da investigação, incluindo identificação de outros envolvidos, rastreamento financeiro e aprofundamento das conexões empresariais ligadas ao esquema criminoso.
Fonte: noticiastudoaqui.com