
Uma investigação iniciada a partir de ataques contra empresas de internet em municípios do interior de Rondônia revelou uma estrutura criminosa com atuação interestadual ligada ao tráfico de drogas e a uma facção criminosa. O desdobramento das apurações levou a Polícia Civil, por meio da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO 2), a deflagrar nesta sexta-feira (7) a Operação Quirinus, considerada a primeira fase de uma ofensiva estratégica contra o grupo investigado.
As investigações tiveram início após ataques coordenados contra provedores de internet nos municípios de Jaru e Theobroma, onde integrantes do grupo criminoso teriam utilizado ações violentas para intimidar empresas e exercer controle sobre determinadas áreas. A partir das prisões em flagrante de suspeitos envolvidos nos ataques e da análise de aparelhos eletrônicos apreendidos, os investigadores identificaram uma organização muito mais ampla, com ramificações voltadas ao comércio ilegal de entorpecentes e distribuição de drogas para diferentes estados brasileiros.
Segundo a Polícia Civil, o material obtido durante a investigação revelou uma rede criminosa estruturada, com pontos de venda de drogas e uma cadeia de distribuição que ultrapassa as fronteiras de Rondônia. O esquema investigado mantinha conexões com os estados do Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão, além de abastecer o mercado ilegal dentro do próprio estado.
A Operação Quirinus cumpriu 36 medidas cautelares determinadas pela Justiça em quatro estados da Federação. Em Rondônia, as ações ocorreram nos municípios de Guajará-Mirim, Ariquemes, Buritis, Cerejeiras e Jaru, com equipes policiais mobilizadas para cumprimento de mandados e coleta de novos elementos que possam fortalecer as investigações.
A ofensiva policial também evidencia uma mudança no modo de atuação das organizações criminosas, que passaram a utilizar estratégias de intimidação contra serviços essenciais e empresas privadas como forma de ampliar influência territorial. No caso investigado, os ataques aos provedores de internet acabaram funcionando como ponto inicial para que a Polícia Civil alcançasse uma estrutura criminosa considerada mais complexa.
De acordo com a Polícia Civil, a análise técnica dos dispositivos eletrônicos apreendidos foi fundamental para mapear integrantes, identificar conexões entre criminosos e compreender a logística de distribuição de drogas. A investigação aponta que o grupo utilizava métodos organizados para manter pontos de comercialização, estabelecer domínio em determinadas regiões e expandir suas atividades para além de Rondônia.
A operação conta com apoio da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), além da integração com órgãos e redes de combate ao crime organizado. A Polícia Civil informou que esta é apenas a primeira etapa de uma série de ações planejadas para atingir a estrutura financeira e operacional da organização investigada.
O nome Quirinus faz referência a uma antiga divindade romana associada à proteção do Estado e da ordem pública. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza a atuação estatal no enfrentamento às organizações criminosas e a retomada de espaços onde grupos ilegais tentam impor controle por meio da violência e do medo.
O avanço das investigações poderá revelar novos integrantes, conexões e outras práticas criminosas atribuídas ao grupo. Para as forças de segurança, a operação representa uma resposta ao fortalecimento das facções e reforça a estratégia de combater não apenas os crimes praticados nas ruas, mas também a estrutura de comando, financiamento e logística que sustenta essas organizações.
Fonte: noticiastudoaqui.com