Em mais um resumo de tendências e expectativas dos relatórios focados em cenários para 2026, chegamos ao Marketing Trends 2026, da Kantar. O documento destaca o papel central da inteligência artificial (IA) na transformação do consumo. A ascensão de agentes autônomos exigirá que marcas adaptem seu conteúdo para influenciar tanto humanos quanto algoritmos de compra. Estamos falando de otimização para IA. Então, chegamos à pergunta: como convencer o robô a citar seu site?

Para gestores de empresas de comunicação acostumados a brigar por cada clique na busca orgânica, o relatório Marketing Trends 2026 da Kantar traz um alerta que não pode ser ignorado: as regras de descoberta de conteúdo estão sendo reescritas. Não estamos mais falando apenas de convencer humanos a clicar em manchetes, mas de convencer robôs a citarem o seu veículo.
O cenário para 2026 aponta para uma mudança considerável: da economia da atenção para a economia da intenção, mediada por agentes de Inteligência Artificial. Para jornais, revistas e portais de notícias, entender essa transição é fundamental para manter a relevância e a sustentabilidade do negócio.
GEO é o novo SEO: O seu conteúdo é “legível” para máquinas?
Talvez o ponto de maior impacto para o dia a dia editorial seja o surgimento do Generative Engine Optimisation (GEO). Se nos últimos 15 anos as redações foram treinadas para agradar o algoritmo do Google Search, o desafio agora é ser citado e validado pelos Grandes Modelos de Linguagem (Large Language Models, ou LLMs).
O relatório aponta que 24% dos usuários de IA já utilizam assistentes para compras e recomendações, e esse número tende a crescer exponencialmente. O perigo para os publishers é claro:
INSIGHT 1: Se o modelo de IA não conhece a sua marca ou não entende a autoridade do seu conteúdo, ele não o escolherá como fonte de resposta.
Para editores, isso exige conhecimentos sobre otimização para IA e uma mudança na estrutura do texto. O conteúdo precisa ser claro, estruturado e, acima de tudo, legível por máquinas. Não basta mais ter a palavra-chave no título; é necessário que o conteúdo responda de forma direta e autoritativa às dúvidas que alimentam os agentes de IA. Quem não for a “recomendação padrão” corre o risco de ser otimizado para fora da existência digital.
O declínio do alcance social e a ascensão das microcomunidades
A estratégia de “jogar link” nas redes sociais para atrair tráfego de massa está se tornando cada vez menos eficiente. O relatório confirma que o alcance orgânico de páginas de marcas (e veículos de mídia) continua a cair, enquanto os feeds algorítmicos priorizam conteúdo genérico ou focado em vendas.
Como já citado nas matérias que publicamos aqui, sobre tendências para 2026, a oportunidade está nas microcomunidades. O público está migrando de espaços superlotados e impessoais para ambientes onde sentem que pertencem e podem dialogar. Para gestores de mídia, isso sinaliza a importância de investir em:
• Newsletters de nicho;
• Grupos fechados (WhatsApp/Telegram);
• Comunidades verticais temáticas.
INSIGHT 2: A autenticidade nessas comunidades gera mais engajamento do que o alcance amplo.
Na China, marcas que apostaram em plataformas de microcomunidades focadas em compartilhamento de conhecimento obtiveram um ROI de marketing 25% maior, segundo o documento da Kantar.Veja aqui mais matérias sobre tendências para 2026:
A necessidade de “Inovação Guiada pela Marca”
Muitas empresas de mídia hesitam em arriscar novos formatos ou produtos por medo de perder a audiência atual. No entanto, o relatório é taxativo: jogar seguro é um risco maior do que inovar. Nos últimos 20 anos, marcas que investiram na disrupção suas próprias categorias geraram trilhões em valor incremental.
Para 2026, a inovação não deve ser apenas tecnológica (usar IA por usar), mas guiada pela marca. Para um veículo jornalístico, isso significa que a tecnologia deve servir para amplificar o propósito editorial e o jornalismo de qualidade, e não apenas para cortar custos.
INSIGHT 3: O “curto-prazismo” não será suficiente; as marcas que tornarem a experimentação o seu padrão moldarão o futuro.
Co-criação: O jornalista não é o único dono da narrativa
Há uma pressão crescente para demonstrar o impacto do conteúdo, e 61% dos profissionais de marketing planejam aumentar o investimento em criadores de conteúdo em 2026.
INSIGHT 4: Para a mídia tradicional, os creators não devem ser vistos apenas como concorrentes, mas como vetores de distribuição e engajamento.
O erro comum é tentar controlar excessivamente a narrativa. O relatório sugere que, na otimização para IA, o segredo é “ceder o controle” e co-criar. Para editorias de estilo de vida, cultura ou tecnologia, estabelecer parcerias onde a credibilidade do veículo se une à linguagem autêntica do criador pode ser a chave para furar a bolha e atingir novas audiências. E convencer o robô a citar seu site.
O futuro da audiência em 2026 não será sobre quem grita mais alto nas redes sociais, mas sobre quem consegue ser a fonte de confiança para os agentes de IA e o ponto de encontro para comunidades reais.
Os gestores precisam preparar suas redações hoje para a otimização para IA, garantindo que seu jornalismo seja a base de dados na qual o futuro será construído.
Como alerta a Kantar: se você não é a recomendação padrão, você corre o risco de se perder em um “mar de mesmice”.
(aner)