CPMI do INSS quebra sigilo do “Lulinha”



Justiça seja feita, mas não são apenas políticos porto-velhenses que adoram lavar roupa suja em plenário. Tem uma turma no Congresso Nacional que não perde uma oportunidade para transformar o ambiente legislativo em boteco de beira de estrada, geralmente frequentado por arruaceiros de quinta categoria, sempre prontos para extravasarem seus instintos animalescos por qualquer motivo, principalmente quando se sentem contrariados.

Foi exatamente isso o que se viu na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a roubalheira no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Após o presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos – MG), anunciar o resultado da votação que quebrou o sigilo fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como “Lulinha”, acusado pelo “Careca do INSS” de receber uma mesada de R$ 300 mil, o deputado Rogério Correia (PT-MG), inconformado com o placar, partiu em tropelia contra Viana. Teve um pouco de tudo, desde gritos, empurrões até tapa na cara.

Referindo-se ao escândalo do INSS, Lula disse que, “se tiver um filho meu envolvido nisso, será investigado”. Ensina o ditado popular, quem não deve, não teme. Então, por que o PT quer blindar “Lulinha”? Em ano eleitoral, a quebra de sigilo do filho do presidente é motivo de preocupação para Lula e seus aliados. A cada pesquisa, a popularidade do petista despenca. Segundo especialistas, a tendência é cair ainda mais, à medida que a CPMI aprofundar as investigações sobre o caso.

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Na outra ponta, a oposição comemorou o resultado. E, pelo andar da carruagem, vai aproveitar o episódio para drenar até a ultima gota de sangue do governo Lula. A ideia é exaurir todas as suas forças, deixando-o cada vez mais vulnerável. Mas não pense que todo mundo quer realmente punir os ladrões que surrupiaram bilhões das contas de aposentados e pensionistas do INSS. Alguns parlamentares estão politicamente mortos em seus estados. Para esses, a CPMI do INSS funciona como uma espécie de tábua de salvação na qual se agarram, como abutres em carne necrosada, para não afundarem nas eleições de outubro.

Valdemir Caldas

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