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O próprio governo se espantou com a enorme quantidade de brasileiros ‘invisíveis’. Cidadãos e cidadãs ausentes dos registros oficiais do Cadastro Único, do CPF da Fazenda e até do IBGE. Todos achavam que os mais pobres entre os pobres eram amparados pelo Programa Bolsa Família. Estavam enganados.
Esse desconhecimento da existência de milhões de brasileiros, só demonstra e prova, que as políticas públicas sociais dos governos até aqui, não passaram de meras falácias. De hipocrisia e crime de responsabilidade por omissão.
O senador Confúcio Moura, ao tempo do seu governo, perguntava onde estavam os 350 mil miseráveis de Rondônia que o IBGE apontava. Ele não via estas pessoas por onde andava.
Confúcio criou dentro de um Plano Futuro, ação para localizar e cadastrar estas pessoas. Na época, era como caçar agulha no palheiro. Gastou-se muito com equipes, viaturas, viagens e diárias que resultaram em nada. O trabalho ficou inconcluso e os pobres de Rondônia continuaram ocultos na penumbra do descaso.
E assim ocorreu em todo o país. Agora, veio a conta. Na hora de pagar o Auxílio Emergencial, os ‘invisíveis’ saíram das sombras e foram para as filas da receita federal fazer CPF, dos Cras para fazer o Cadúnico e da Caixa Econômica, para abrir contas. Hordas de famintos em quarentena sem nada para comer, que quebraram as plataformas de serviços online do governo.
Os ‘invisíveis’ quebraram também, as previsões de desembolso do governo. Faltou dinheiro. Foram obrigados a suspender o pagamento da 2ª parcela do Auxílio Emergencial, já anunciada e com data marcada. Isso, para poder continuar pagando a 1ª parcela aos que vieram à luz. E ainda falta cerca de 7 milhões de pessoas cujos cadastros, até hoje, se encontram em análise.
25% dos brasileiros, um quarto da população, constituem esta parcela dos mais pobres entre os pobres. Pessoas que precisam ser abarcadas pelas políticas sociais de sobrevivência, preparação de mão-de-obra e inserção no mercado de trabalho.
Esta significativa fração do povo está inserida nos 81,9% dos brasileiros impactados financeiramente pelos efeitos da Pandemia do novo coronavírus, segundo o Instituto Paraná de Pesquisas. E, entre estes, estão os autônomos, os Mei’s e as pequenas empresas responsáveis pela maioria dos trabalhadores com carteira assinada no país.
Somente 16,2% dos trabalhadores, e neste quinhão a privilegiada classe de servidores públicos, não sofreram perdas com a Covid-19. Não perdem e nem tem seus empregos precarizados com redução de ganhos e legislação que não garante o posto conquistado. Estas condições são reservadas àqueles que tiram da boca dos filhos para sustentar estes. Muitos com exacerbados privilégios de salários e aposentadorias acima do teto legal. Além de muitas outras execráveis mordomias.
Aí está o desafio das pessoas. Levantar e ir trabalhar sem se contaminar com vírus letal. E, também, o do governo de mandar as empresas abrirem as portas e garantir que as condutas preconizadas de distanciamento social e de higiene, sejam cumpridas. E, ainda, assegurar condições de cuidar e salvar a vida dos que caírem nesta guerra.
Afinal, teremos que levantar este país que precisa sair da UTI com os seus 20 milhões de desempregados. E dar o de comer para todos, incluindo os, agora, visíveis.
Fonte: noticiastudoaqui.com
