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Neste dia 1º de junho, Dia Nacional da Imprensa, nada temos para comemorar. E não é em função da Pandemia do coronavirus. É por conta de nós mesmos e das nossas atitudes. Da nossa arrogância de nos acharmos o “4º Poder”. E acreditarmos que somos “pilar da Democracia”. Papo mais besta que só seduz os ingênuos e os inocentes.
Os mais jovens acham um ‘charme’ a atividade exercida na imprensa. Principalmente se está na linha de frente de alguma telinha. Pura vaidade que não paga aluguel nem a prestação de um bom carro. Menos de cinco por cento dos profissionais de comunicação vivem no patamar dos grandes âncoras e apresentadores. O resto sua como um condenado pelo pão de cada dia.
O gozo financeiro dos frutos da imprensa, fica mesmo é para o patrão. Para os donos das redes regionais de rádio e televisão, pois os veículos impressos estão em extinção. Mas compõem ainda, os grandes conglomerados da comunicação, para onde vai o poder financeiro que lhes faz pensar ter o controle do poder político.
É aí que se comprova que a imprensa é só um negócio como a padaria da esquina, o açougue ou supermercado do quarteirão. O que importa é o lucro. E em nome dele, se manipula os trabalhadores constrangidos a se alinharem aos objetivos do patrão. E, com eles, se manipula a opinião pública.
É quando o jornalista descobre a censura que tanto condena. A censura interna, da casa, do patrão. Se não se submeter, está fora. E, às vezes, execrado diante da complacência dos colegas submetidos, encabrestados.
Nos tormentosos dias que atravessamos, esta submissão ficou às escâncaras. Nunca, nas últimas cinco décadas, vimos uma imprensa gritar por ‘liberdade de imprensa’, liberdade de opinião’ e ser apontada como ‘imprescindível à democracia” e exaltada como ‘pilar da liberdade’ quando, ela própria, enxovalha e rasga seu código de ética, esconde o outro lado e rejeita o contraditório.
É pura hipocrisia os ditames acima citados. A imprensa brasileira e, infelizmente, seus órgãos representativos de longa história e bons serviços, se colocam agora, à disposição servil de conglomerados que estão com os seus interesses contrariados. Mas falam em ‘defesa do povo’, ‘defesa da democracia’ na maior cara de pau igual aos políticos mais demagógicos, quando o que estão fazendo mesmo, é defender seus espúrios interesses.
Essa é a verdade da imprensa brasileira nos dias de hoje. Portanto, nada temos a comemorar. O que este dia 1º de junho nos cobra é uma boa reflexão sobre o papel da imprensa como instrumento de informação da sociedade. Com neutralidade, isenção, ética e respeito ao cidadão. A ele, sim, cabe julgar e tomar decisão, desde que assentado na boa e confiável informação.
Osmar Silva – Jornalista – Diretor e editor do noticiastudoqui.com – Presidente da Federação Nacional dos Comunicadores Seccional Rondônia(FENACOM) – presidente da Associação da Imprensa de Rondônia(AIRON).
