
Redação, Porto Velho RO, 09 de maio de 2026 - A crise envolvendo a concessão da BR-364 transformou-se em mais um capítulo da desarticulação política em Rondônia. O que deveria servir como espaço de construção de soluções para reduzir os impactos econômicos provocados pelos pedágios acabou se tornando palco de divergências públicas entre senadores, discursos inflamados e movimentações que já carregam forte tom de pré-campanha eleitoral. Enquanto isso, produtores, transportadores e consumidores seguem enfrentando o aumento dos custos logísticos sem qualquer medida concreta e imediata capaz de aliviar o peso no bolso da população.
Durante audiência pública realizada na sede da OAB-RO, o senador Marcos Rogério defendeu apenas a revisão das tarifas cobradas nas praças de pedágio já instaladas. Em sentido oposto, o senador Jaime Bagattoli passou a defender a suspensão completa da concessão da rodovia, alegando que o contrato representa prejuízo ao setor produtivo e ameaça ao desenvolvimento econômico do estado. A divergência evidenciou não apenas a ausência de consenso, mas também a falta de planejamento político desde o início do processo de concessão da rodovia federal.

A BR-364 é considerada a principal artéria econômica de Rondônia e uma das mais importantes rotas de escoamento da produção agrícola e industrial da Região Norte. A rodovia conecta municípios estratégicos do estado e sustenta o transporte de combustíveis, alimentos, grãos, medicamentos e mercadorias que abastecem cidades rondonienses e outros estados brasileiros.
Apesar da gravidade do impacto econômico, críticas à concessão surgem apenas após a implantação do modelo e do início da cobrança de pedágios. O debate político ocorre quando produtores rurais, caminhoneiros e empresários já sentem os reflexos no custo do frete e na elevação dos preços ao consumidor final. Especialistas do setor logístico alertam que qualquer aumento no transporte inevitavelmente repercute no valor dos alimentos, combustíveis e produtos básicos consumidos diariamente pela população.

O principal questionamento gira em torno da percepção de que Rondônia passou a pagar caro antes mesmo de receber melhorias estruturais proporcionais na rodovia. O projeto de concessão prevê investimentos bilionários ao longo de 30 anos, mas parte das obras de duplicação e modernização ainda permanece distante da realidade imediata dos usuários.
Nos bastidores políticos, cresce a avaliação de que o tema passou a ser utilizado como ferramenta de posicionamento eleitoral antecipado. Parlamentares que pouco reagiram durante a construção do contrato agora tentam capitalizar politicamente o descontentamento popular. O resultado é um cenário marcado por discursos públicos, embates políticos e poucas ações efetivas capazes de reduzir rapidamente os prejuízos econômicos enfrentados por Rondônia.
Enquanto autoridades discutem quem errou ou quem deveria ter agido antes, a população segue enfrentando estradas problemáticas, aumento no custo do transporte e impactos diretos na inflação regional. Para grande parte dos rondonienses, a sensação é de que a BR-364 continua sendo símbolo de improviso político, promessas tardias e ausência de soluções concretas para um problema que afeta diretamente toda a cadeia econômica do estado.
Fonte: noticiastudoaqui.com