Audiência esvaziada, protestos e críticas expõem desgaste na discussão do zoneamento de Rondônia



Audiência esvaziada, protestos e críticas expõem desgaste na discussão do zoneamento de Rondônia

Redação, Porto Velho RO, 20 de junho de 2026 - A audiência pública destinada a discutir o zoneamento socioeconômico e ecológico de Rondônia terminou marcada por um plenário esvaziado, manifestações de produtores rurais e fortes críticas de lideranças políticas, evidenciando o clima de insatisfação que cerca um dos temas mais sensíveis para o futuro econômico e fundiário do Estado. O encontro, realizado na Assembleia Legislativa, acabou revelando o distanciamento entre o debate técnico conduzido por órgãos governamentais e as preocupações de quem vive diretamente os impactos das restrições territoriais impostas ao setor produtivo.

Produtores rurais presentes no evento protestaram contra propostas que, segundo eles, podem ampliar inseguranças jurídicas, dificultar a regularização fundiária e criar novos obstáculos para atividades econômicas já consolidadas em diversas regiões de Rondônia. O principal alvo das críticas foi a falta de diálogo efetivo com quem produz e gera riqueza no campo, especialmente em um momento em que o Estado enfrenta discussões sobre reservas ambientais, unidades de conservação e limitações ao uso da terra.

O senador Marcos Rogério reagiu ao cenário observado durante a audiência e criticou a condução do processo, afirmando que decisões com potencial para afetar milhares de famílias não podem ser tomadas sem ampla participação popular. Para o parlamentar, o debate sobre o zoneamento exige transparência, estudos aprofundados e a presença ativa da sociedade, principalmente dos produtores rurais, que serão diretamente impactados pelas definições adotadas. Segundo ele, a baixa participação registrada no encontro enfraquece a legitimidade das discussões e reforça a necessidade de ampliar o diálogo com os diversos segmentos envolvidos.

O zoneamento é considerado um dos instrumentos mais importantes para definir áreas de produção, preservação e expansão econômica em Rondônia. Por isso, qualquer alteração desperta forte mobilização política e econômica. Setores ligados ao agronegócio defendem que as mudanças respeitem a realidade produtiva do Estado, enquanto ambientalistas argumentam que a preservação de áreas estratégicas é fundamental para garantir sustentabilidade e segurança ambiental a longo prazo.

A audiência acabou transformando-se em um retrato das dificuldades enfrentadas pelo poder público para construir consensos em torno de um tema que envolve interesses econômicos, ambientais e sociais. O esvaziamento do plenário, somado às manifestações de produtores e às reações políticas, demonstrou que o debate está longe de ser encerrado e que as futuras decisões sobre o zoneamento continuarão ocupando o centro das discussões em Rondônia.

Mais do que uma simples reunião técnica, o encontro evidenciou a crescente tensão entre desenvolvimento e preservação, colocando novamente em pauta a necessidade de equilíbrio entre proteção ambiental, segurança jurídica e geração de oportunidades para milhares de famílias que dependem da produção rural para sobreviver e impulsionar a economia rondoniense.

Fonte: noticiastudoaqui.com




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