Rondônia tem a segunda passagem aérea mais cara do Brasil; estado castigado por reclamar maus serviços



Rondônia tem a segunda passagem aérea mais cara do Brasil; estado castigado por reclamar maus serviços

Redação, Porto Velho RO, 29 de julho de 2026 - Viajar de avião a partir de Rondônia continua sendo um privilégio cada vez mais caro. Dados do Anuário do Transporte Aéreo 2025, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), colocam o estado na segunda posição entre as tarifas aéreas domésticas mais elevadas do país, ficando atrás apenas de Roraima. O levantamento evidencia um problema histórico da Região Norte: a combinação de baixa oferta de voos, pouca concorrência entre companhias aéreas, grandes distâncias e elevados custos operacionais continua impondo preços muito acima da média nacional, dificultando a mobilidade da população e afetando diretamente a economia regional.

Segundo a Anac, a tarifa média paga pelos passageiros que embarcaram em voos domésticos com origem em Rondônia alcançou R$ 1.277,18 por trecho em 2025. O valor representa praticamente o dobro da média nacional, que foi de R$ 648, tornando o transporte aéreo um dos mais onerosos do Brasil para os rondonienses. Apenas Roraima apresentou média superior, de R$ 1.401,05, enquanto o Acre aparece na terceira colocação, com R$ 1.152,66.

O ranking revela ainda uma forte concentração regional. Dos cinco estados brasileiros com as passagens mais caras, quatro pertencem à Região Norte: Roraima, Rondônia, Acre e Amazonas. Alagoas é o único estado de outra região a integrar a lista das tarifas mais elevadas. Para especialistas, esse cenário demonstra que a desigualdade na infraestrutura de transportes continua sendo um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico da Amazônia.

Além do alto valor absoluto das passagens, Rondônia registrou um dos maiores aumentos no custo do transporte aéreo em relação ao ano anterior. Dados da Anac apontam que o estado teve crescimento expressivo nas tarifas médias e também no chamado yield tarifário — indicador que mede quanto o passageiro paga por quilômetro voado. O avanço reflete o encarecimento da operação aérea e reforça a percepção de que viajar para outras regiões do país se tornou ainda mais caro para moradores, empresários e turistas.

Outro dado que ajuda a explicar esse cenário é a distância percorrida pelos voos que partem de Rondônia. O estado possui uma das maiores médias de quilômetros voados do país, já que boa parte das viagens exige conexões com grandes centros, especialmente Brasília, Campinas, Cuiabá e São Paulo. Quanto maior o percurso, maior tende a ser o consumo de combustível — um dos principais componentes do custo operacional das companhias aéreas.

Especialistas também apontam outros fatores estruturais para justificar as tarifas elevadas. Entre eles estão a baixa concorrência entre empresas aéreas, a limitação da malha regional, o reduzido número de frequências semanais, os custos de manutenção das operações na Amazônia e a menor densidade de passageiros em comparação com mercados mais consolidados do Sudeste e do Sul. Em muitas rotas, poucas empresas disputam o mercado, reduzindo a competição e contribuindo para a manutenção de preços elevados.

As consequências vão muito além do turismo. O elevado custo das passagens impacta diretamente pacientes que precisam realizar tratamentos médicos fora do estado, estudantes universitários, empresários, servidores públicos e trabalhadores que dependem do transporte aéreo para atividades profissionais. Também afeta a competitividade econômica de Rondônia, dificultando a atração de investimentos, eventos e negócios que dependem de conexões aéreas frequentes e acessíveis.

Representantes do setor defendem que a redução dos preços depende da ampliação da concorrência, da entrada de novas empresas no mercado e do fortalecimento da infraestrutura aeroportuária da Região Norte. Para a própria Anac, um ambiente com maior número de operadores tende a favorecer a redução das tarifas ao ampliar a oferta de assentos e estimular a competição entre as companhias.

Enquanto mudanças estruturais não acontecem, Rondônia permanece entre os estados onde voar custa mais caro. Para milhares de passageiros, viajar de avião continua sendo uma necessidade cada vez mais onerosa, evidenciando um desafio histórico de integração nacional que ainda pesa sobre a população da Amazônia e limita o desenvolvimento logístico e econômico da região.

Fonte: noticiastudoaqui.com



Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

Noticias da Semana

Veja +