Depois de empenhar o futuro do país de novo, lulistas não têm qualquer moral para reclamar de pautas-bomba no Congresso Nacional
Soa cínico e até ofensivo o discurso de membros do governo Lula (foto) contra a aprovação de bondades eleitorais no Congresso Nacional, por piores que elas sejam — e são ruins mesmo.
Em meio à tentativa de empurrar a aprovação irresponsável da redução da jornada de trabalho, com intenções eleitoreiras e prejuízos não calculados para os empregadores, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, substituto de Fernando Haddad, só enxerga problema na renegociação de dívidas rurais.
Mas o governo Lula fez da renegociação de dívidas uma de suas bandeiras eleitorais, por meio da reedição do programa Desenrola, direcionado a um eleitorado que os lulistas tentam conquistar.
Além disso, a previsão é de que a terceira passagem do petista pelo Palácio do Planalto termine com o acréscimo de até 14 pontos percentuais na dívida pública, que pode chegar a 86% do PIB.
Antes de avançar com a pauta do Refis do Agro, para ajudar os agricultores prejudicados pelas enchentes no Rio Grande do Sul e pela crise do petróleo causada pela guerra no Irã, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a fazer um discurso pela responsabilidade fiscal.
Dez ‘Brasis’
“No ano de eleição, isto aqui é muito complexo, porque o que botar para votar isto aqui, todo mundo vai votar assim, por conta da eleição, e vai ter que arrumar 10 Brasil para pagar. E aí fica sendo eu o culpado, que não quer dar um piso para o médico. O piso para o médico, que salva a vida das pessoas no pronto atendimento. O piso para o enfermeiro. ‘Meu Deus, bora dar’. Mas o Brasil comporta isso O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir? Vai ter uma fonte de arrecadação?”, questionou Alcolumbre diante da pressão para votar pisos nacionais.
“Quando colocar na Constituição isso aqui, vão questionar se teve uma fonte de arrecadação, porque na lei tem que ter a fonte. É muita coisa, é muita polêmica, é muito problema. E como muitos dos problemas, hoje eu estou sendo responsável por quase todos, eu vou continuar com a minha tese de a gente fazer o certo com a cabeça tranquila é melhor do que fazer as coisas [errado]. Ou eu vou botar todos esses [projetos] aqui na pauta, todas as PEC, todos os pisos e todas as solicitações, ou eu não vou botar nenhum”, finalizou o presidente do Senado.
O governo Lula calcula que a renegociação das dívidas dos agricultores terá um impacto de 140 bilhões de reais em até 13 anos e já anunciou que pretende questionar a aprovação no Supremo Tribunal Federal (STF) caso o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) não consiga segurar o avanço do projeto de lei do Refis do Agro na outra Casa legislativa.
Mas o pacote de bondades eleitorais do governo Lula já bateu 190 bilhões de reais. Só neste ano.
Tabelinha com o STF
Sobre o pacote de bondades de Lula, o ministro Gilmar Mendes não disse nada.
Mas o decano do STF mandou recados públicos para o Congresso sobre a necessidade de te responsabilidade fiscal, em harmonia com o cínico discurso do governo Lula, deixando claro que Executivo e Judiciário devem atuar juntos mais uma vez contra o Legislativo .
Nesse ambiente, nem 10 Brasis seriam o bastante.
(O Antagonista)