Deus não é cabo eleitoral nem o púlpito é palanque politico




Candidatos aos mais diferentes cargos da República deram de usar o nome de Deus em suas aparições televisivas e no horário eleitoral gratuito, no afã de engambelar eleitores incautos e passar uma imagem de cristãos tementes ao Senhor. Ainda hoje muitos são vistos em igrejas e templos religiosos orando em voz alta para impressionar o público. São verdadeiros artistas, nada devendo aos atores de novelas, contudo, como não se deve tomar o nome de Deus em vão, certamente serão castigados, porque o Pai Supremo não permite que fariseus usem seu santo nome para alcançar fins eleitoreiros e mesquinhos.

No fundo, a maioria nem sequer assiste a missa ou o culto de domingo. Provavelmente, nem sabe onde fica a igreja mais próxima. Agora, quer tirar uma de cristão abnegado e temente a Deus. Isso é uma tremenda heresia. É muita cara de pau, porém, essa gente não perde por esperar. Logo, o relho nos costados virá, inapelavelmente, para esses hipócritas aprenderem a respeitar o nome de Deus, que não é cabo eleitoral de ninguém. Se o candidato não tem ideias concretas nem palatáveis, então não finque cometendo blasfêmia. O eleitor precisa ficar de olho nos políticos que tentam conquistar votos em nome de Deus, que, do ato de Sua onipotência, os julgará soberanamente.

Está, portanto, juridicamente correta e alinhada com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a atitude do pároco de uma igrejinha que fica no Ramal do Jacu, zona rural de Porto Velho. Logo após a missa dominical, ele pediu aos fiéis que evitassem usar as dependências da igreja para qualquer tipo de propaganda política (como a afixação de cartazes, distribuição de santinhos ou discursos em seu interior, porque isso pode ser considerado abuso de poder político ou econômico. Afinal, Deus não é cabo eleitoral de ninguém, e o púlpito não pode ser usado como palanque, mas, exclusivamente, para a fiel exposição e ensino da palavra de Deus.




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