Inércia em Brasília pressiona por renovação profunda na bancada federal de Rondônia nas eleições 2026



Inércia em Brasília pressiona por renovação profunda na bancada federal de Rondônia nas eleições 2026

Em meio ao avanço de debates decisivos sobre logística, tarifas de energia e segurança jurídica no campo, a atual representação rondoniense na Câmara dos Deputados falhou em entregar respostas firmes, alimentando o clamor popular por mudanças nas urnas.

Redação, Porto Velho RO, 30 de julho de 2026 - O cenário socioeconômico de Rondônia vive um contraste inquietante. Enquanto o estado se consolida como uma das fronteiras agrícolas e energéticas mais dinâmicas do País, a sua representação política na Câmara dos Deputados demonstra sinais claros de letargia diante das pautas mais cruciais para a população local. A percepção generalizada entre lideranças comunitárias, setores produtivos e o eleitorado é de que a atual bancada federal "cochilou" em momentos em que a ação firme, articulada e proativa de Brasília era indispensável.

Essa passividade parlamentar acumula passivos históricos e coloca Rondônia em desvantagem no cenário nacional, alimentando a urgência de uma ampla renovação política para as próximas disputas eleitorais.

1. A Lenta Concessão da BR-364: A Rodovia da Morte Segue Sem Solução

Principal artéria de escoamento da produção agrícola e via única de integração terrestre de Rondônia com o restante do Brasil, a BR-364 padece há anos com buracos, falta de duplicação e índices alarmantes de acidentes fatais. A promessa e os trâmites para a privatização e concessão da rodovia caminham a passos de tartaruga na Esplanada dos Ministérios.

Enquanto empresários e motoristas pagam o preço do custo-Brasil na carne, a atuação da bancada federal rondoniense restringiu-se, em grande medida, a discursos pontuais e emendas pulverizadas, sem a formação de um bloco de pressão capaz de acelerar os leilões de concessão com tarifas justas e garantias de investimentos urgentes em infraestrutura.

2. Isolamento Aéreo e Passagens Inacessíveis

Outro gargalo crítico é o apagão e a exploração na logística aérea. Nos últimos anos, cancelamentos de rotas, diminuição da oferta de voos e preços abusivos de passagens transformaram viagens essenciais de Porto Velho e do interior para os grandes centros do País em um luxo inalcançável para a imensa maioria dos rondonienses.

Apesar de audiências públicas e cobranças da sociedade civil, faltou à bancada federal uma articulação contundente junto ao Ministério dos Portos e Aeroportos, à ANAC e às companhias aéreas para coibir condutas predatórias e garantir a conectividade de Rondônia com o restante do mapa nacional.

3. O Paradoxo da Energia Elétrica: O Estado Gerador Que Paga Caro

Rondônia abriga duas das maiores e mais modernas usinas hidrelétricas do Brasil — Santo Antônio e Jirau —, cujas barragens impactaram a geografia, o meio ambiente e as populações locais do Rio Madeira para abastecer o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Contudo, a fatura cobrada ao consumidor rondoniense é recheada de ironia e injustiça: as tarifas de energia elétrica no estado estão entre as mais elevadas do Brasil. O silêncio e a incapacidade dos deputados federais em aprovar compensações tarifárias efetivas ou revisar os critérios de distribuição do setor elétrico deixam o cidadão pagando uma conta incompatível com o fato de Rondônia ser um exportador líquido de energia limpa.

4. Segurança Jurídica no Campo: Assentamentos x Reservas Criadas A Posteriori

A questão fundiária em Rondônia segue marcada por insegurança jurídica e conflitos. Em diversos municípios, o próprio Governo Federal, por meio do INCRA, assentou famílias de produtores rurais há décadas. Mais tarde, órgãos ambientais sobrepuseram reservas ambientais e territoriais sobre essas mesmas áreas já consolidadas.

A ausência de uma mediação legislativa robusta e de projetos de lei definitivos que regularizem essas áreas ou indenizem de forma justa as famílias atingidas expõe a fragilidade da bancada federal na defesa dos direitos do pequeno e médio produtor rural, gerando paralisia econômica e tensões no campo.

5. Subaproveitamento da Hidrovia do Rio Madeira

A Hidrovia do Rio Madeira é um corredor logístico natural para a exportação de grãos e suprimentos da Região Norte. No entanto, a falta de dragagem constante, balizamento moderno e obras permanentes de manutenção faz com que a navegação sofra interrupções e gargalos severos nos períodos de estiagem.

Em vez de transformar a hidrovia em uma prioridade orçamentária e estratégica de Estado no Orçamento Geral da União, a bancada federal assistiu passivamente ao agravamento dos problemas de trafegabilidade a cada ciclo de seca, enfraquecendo a competitividade da região.

O Clamor por Renovação e as Chapas em Formação

Diante do acúmulo de cobranças não atendidas, o cenário político em Rondônia registra forte movimentação de bastidores e a estruturação de nominatas competitivas em diversos partidos.

  • PL em disputa acirrada: Legendas de grande apelo conservador no estado estruturam chapas densas em votos, nas quais lideranças como Sofia Andrade, Coronel Chrisóstomo, Lúcio Mosquini e Ezequiel Neiva disputam espaço ponto a ponto para tentar garantir bancada expressiva.
  • Podemos e a busca por espaço: Movimentos articulados pela prefeitura da capital impulsionam nomes como os deputados Lopes e Rafael Fera, ao lado da juíza Euma Tourinho e do médico Jaime Gazola, formando frentes que prometem disputar vagas com discurso de proatividade e renovação de postura.

A mensagem do eleitorado rondoniense sinaliza que emendas parlamentares isoladas não bastam mais: o estado exige deputados federais capazes de atuar em bloco, enfrentar pautas estruturantes e defender os interesses de Rondônia com altivez e energia no Congresso Nacional.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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