Cancelamento da Expovel expõe falta de respeito ao calendário de festas populares de Porto Velho



Cancelamento da Expovel expõe falta de respeito ao calendário de festas populares de Porto Velho

Redação, Porto Velho RO, 15 de agosto de 2026 - O cancelamento da Expovel 2026, anunciado nesta sexta-feira (14), representa mais do que a suspensão de uma tradicional feira agropecuária de Porto Velho. O episódio reacende a preocupação com a falta de continuidade e planejamento para os grandes eventos que integram o calendário cultural, folclórico e econômico da capital de Rondônia.

A Expovel tem ligação direta com o agronegócio e movimenta diferentes setores da economia, como comércio, alimentação, hotelaria, transporte, serviços e entretenimento. A interrupção do evento também atinge produtores, expositores, artistas, trabalhadores e empreendedores que dependem da programação para organizar investimentos e atividades com antecedência.

O problema, porém, é ainda maior quando analisado dentro de um contexto de fragilidade no calendário das festas populares de Porto Velho. Uma cidade com forte tradição cultural não pode tratar seus principais eventos como acontecimentos ocasionais, sujeitos a cancelamentos, mudanças e indefinições que comprometem a participação da população e dos segmentos envolvidos.

A Flor do Maracujá, por exemplo, representa uma das principais manifestações folclóricas de Rondônia, reunindo quadrilhas, bois-bumbás, artistas, artesãos, comerciantes e milhares de pessoas. Por sua importância cultural e econômica, deveria receber planejamento, incentivo e estrutura para ser realizada no período tradicional e adequado, garantindo segurança, organização e previsibilidade para os grupos participantes e para o público.

CALENDÁRIO PRECISA SER RESPEITADO E FESTAS DEVEM TER APOIO

O cancelamento da Expovel também evidencia a necessidade de uma política pública permanente de incentivo às festas tradicionais de Porto Velho. O poder público não precisa necessariamente assumir sozinho a realização de cada evento, mas deve criar condições para que manifestações culturais e festas ligadas ao agronegócio, ao folclore e às tradições populares tenham estrutura, segurança, divulgação e apoio institucional.

Quando uma festa tradicional deixa de acontecer ou é realizada fora do período adequado, os prejuízos vão além do entretenimento. São afetados grupos culturais, comerciantes, trabalhadores, artistas, hotéis, restaurantes, produtores e toda uma cadeia econômica que se prepara para receber o público.

Na opinião pública da capital e de Rondônia, situações como o cancelamento da Expovel acabam reforçando a percepção de descaso do setor público com a cultura, as tradições e o calendário de eventos da cidade. O sentimento é agravado quando manifestações de grande relevância cultural, como a Flor do Maracujá, não recebem o mesmo planejamento e incentivo necessários para garantir sua continuidade e fortalecimento.

Porto Velho possui tradição, manifestações culturais consolidadas e capacidade para transformar seus eventos em importantes instrumentos de turismo e geração de renda. Para isso, entretanto, é necessário planejamento antecipado, respeito às datas tradicionais, segurança e participação efetiva do poder público e da iniciativa privada.

O cancelamento da Expovel 2026 deveria, portanto, servir de alerta para que Porto Velho passe a tratar suas festas populares não como eventos improvisados, mas como patrimônio cultural, atividade econômica e instrumento de valorização da identidade da capital e de Rondônia.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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