Redação, Porto Velho RO, 19 de agosto de 2026 - O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) intensificou, nesta semana, as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher por meio de duas frentes que apostam na informação, na educação e na conscientização social. As iniciativas fazem parte de uma estratégia que busca levar o debate para além dos tribunais, alcançando jovens estudantes e profissionais da imprensa, considerados importantes agentes na construção de uma cultura de respeito e de enfrentamento à violência de gênero.
Uma das iniciativas é o projeto “Por Elas na Escola”, que começou a desenvolver ações junto a jovens estudantes. A proposta parte de uma compreensão fundamental: o enfrentamento à violência contra a mulher não deve começar somente depois que uma agressão acontece. A prevenção exige informação desde cedo, especialmente entre adolescentes e jovens, para que comportamentos abusivos, relações de controle, desrespeito e outras formas de violência possam ser reconhecidos e questionados.
Ao levar o tema para o ambiente escolar, o TJRO amplia o alcance de suas ações institucionais e aproxima o Poder Judiciário de uma parcela da população que está em processo de formação de valores, relações sociais e compreensão de direitos. A escola, nesse contexto, transforma-se em espaço estratégico para discutir respeito, igualdade, responsabilidade e os mecanismos existentes para proteção das mulheres.
A iniciativa também contribui para aproximar os estudantes do funcionamento da Justiça. Ao compreenderem quais são os direitos assegurados às mulheres e quais caminhos podem ser buscados diante de situações de violência, os jovens passam a ter mais condições de identificar situações de risco e de compreender a importância da denúncia e da rede de proteção.
A escolha do público jovem ganha relevância porque a violência contra a mulher não se manifesta apenas em agressões físicas. Ela também pode aparecer em ameaças, humilhações, perseguições, controle, violência psicológica, patrimonial e outras práticas que comprometem a liberdade e a dignidade das vítimas. A educação para o respeito, portanto, representa uma ferramenta preventiva de longo prazo.
IMPRENSA COMO ALIADA

Paralelamente às atividades nas escolas, o TJRO promoveu mais uma edição do projeto “Diálogos com a Imprensa”, iniciativa destinada a aproximar o Judiciário dos profissionais de comunicação e ampliar a discussão sobre temas de interesse público. O encontro realizado nesta terça-feira (18) teve como um dos focos o fortalecimento das ações de combate à violência contra a mulher.
A aproximação com jornalistas possui importância estratégica. A imprensa exerce papel decisivo na forma como casos de violência contra a mulher chegam ao conhecimento da sociedade, são contextualizados e discutidos. Uma cobertura responsável pode contribuir para informar vítimas sobre seus direitos, divulgar canais e mecanismos de proteção e evitar abordagens que culpabilizam ou expõem indevidamente mulheres vítimas de violência.
O próprio TJRO estabeleceu, em 2026, mecanismos institucionais destinados a fortalecer o relacionamento com a imprensa. O Ato nº 394, de 6 de março de 2026, instituiu programas como o “Magistratura Transparente”, o credenciamento de jornalistas e os encontros mensais “Diálogos TJRO”, voltados ao diálogo entre magistrados, gestores e profissionais de comunicação. A norma destaca princípios como publicidade, transparência e acesso à informação.
Nesse cenário, discutir violência contra a mulher diretamente com jornalistas significa também qualificar a comunicação pública sobre um problema que ultrapassa a esfera criminal e envolve direitos humanos, proteção, prevenção e políticas públicas.
PREVENÇÃO COMEÇA ANTES DA AGRESSÃO

A combinação entre os dois projetos revela uma estratégia de atuação em diferentes frentes. De um lado, o “Por Elas na Escola” trabalha diretamente com jovens, buscando formar uma geração mais consciente sobre respeito e igualdade. De outro, o “Diálogos com a Imprensa” fortalece a circulação de informação qualificada para a sociedade.
A lógica é ampliar a prevenção. Quanto maior o conhecimento sobre os diferentes tipos de violência e sobre os instrumentos de proteção existentes, maiores são as possibilidades de identificação precoce de situações abusivas e de procura por ajuda.
O enfrentamento também depende da capacidade das instituições de dialogarem com a população de maneira clara e acessível. Nesse ponto, a atuação do Judiciário fora dos espaços tradicionais ganha importância, especialmente quando transforma temas jurídicos complexos em conhecimento que pode chegar às escolas, às famílias e à comunidade.
As ações do TJRO reforçam, portanto, que combater a violência contra a mulher não é responsabilidade exclusiva das forças policiais ou do sistema de Justiça. Trata-se de um esforço que envolve educação, comunicação, instituições públicas, famílias e toda a sociedade.
Ao investir simultaneamente na formação de jovens e na qualificação do diálogo com a imprensa, o Tribunal amplia sua atuação preventiva e procura fortalecer uma rede social capaz de reconhecer a violência, romper ciclos de abuso e disseminar informação sobre direitos e proteção.
A iniciativa também se conecta a outras ações desenvolvidas pelo TJRO no campo da prevenção. Em programas anteriores, o Tribunal já promoveu atividades em escolas e comunidades com debates sobre violência doméstica e familiar, prevenção, proteção e a Lei Maria da Penha.
Mais do que tratar a violência somente depois de sua ocorrência, a estratégia coloca educação, informação e conscientização no centro da prevenção. É uma mudança de perspectiva que busca atuar antes que a violência se transforme em tragédia e que reforça o papel das instituições públicas na construção de relações baseadas em respeito, dignidade e proteção às mulheres.
Fonte: noticiastudoaqui.com