Redação, Porto Velho RO, 22 de agosto de 2026 - Uma ocorrência de violência doméstica terminou com uma reviravolta na delegacia de Porto Velho. Uma mulher, identificada pelas iniciais A.C.S.M., moradora da zona rural da capital, procurou a polícia na quinta-feira (20) para denunciar, segundo seu relato, agressões praticadas pelo companheiro, A.M.R. Ela afirmou ter sido atingida nas costas com a perna de aço de uma mesa e relatou ainda um histórico de agressões físicas, ofensas e violência psicológica.
De acordo com as informações divulgadas, os policiais que atenderam à ocorrência constataram lesões no casal e deram voz de prisão ao homem. O caso foi registrado no Boletim de Ocorrência nº 00136617/2026. No entanto, quando a ocorrência avançou para a delegacia, a mulher que havia procurado ajuda também acabou presa em flagrante.
Segundo o despacho policial, teria ocorrido uma situação de agressões recíprocas. O documento afirma que A.C.S.M. teria iniciado uma discussão, ofendido e agredido o companheiro, que posteriormente teria revidado. Ainda conforme o despacho, a mulher teria danificado bens pertencentes ao homem, que manifestou interesse na responsabilização pelos fatos.
Há, entretanto, divergência entre as versões apresentadas. O despacho policial trata os dois como ex-companheiros, enquanto, segundo a defesa da mulher, o boletim de ocorrência registrava que eles ainda mantinham uma relação. A.C.S.M. sustenta que vinha sofrendo agressões e ofensas e que decidiu procurar as autoridades diante da situação.
A defesa da mulher foi assumida pela advogada Aline Leon, da organização Advocacia Feminina de Recomeços. Segundo a profissional, a prisão foi posteriormente revertida e a mulher foi encaminhada para um local seguro. O alvará de soltura, conforme relatado pela advogada, foi expedido quando A.C.S.M. já estava na audiência de custódia.
A advogada também anunciou que pretende levar o caso aos órgãos de controle, incluindo a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público, questionando a condução da ocorrência e a prisão da mulher.
O episódio provocou ainda um debate mais amplo sobre o atendimento oferecido às vítimas de violência doméstica e o risco de revitimização, situação em que a mulher procura auxílio depois de sofrer uma agressão e acaba enfrentando novos constrangimentos ou dificuldades dentro das próprias instituições responsáveis pelo atendimento.
O caso ocorre paralelamente a uma representação apresentada pela organização ao Ministério Público Federal, na qual são questionadas políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulheres em Rondônia. Entre as reivindicações estão maior fiscalização dos recursos destinados à área, delegacias especializadas com funcionamento 24 horas, casas de acolhimento, atendimento psicológico e jurídico e capacitação permanente dos profissionais que atuam no atendimento às vítimas.
A denúncia também questiona a execução de recursos públicos destinados às políticas de proteção às mulheres no estado e pede uma auditoria sobre valores disponíveis, efetivamente aplicados e resultados alcançados.
Enquanto as circunstâncias da ocorrência ainda deverão ser apuradas, as versões apresentadas pelas partes permanecem sob análise. A investigação deverá esclarecer a dinâmica das agressões, a eventual responsabilidade de cada envolvido e as circunstâncias que levaram à prisão da mulher após ela própria procurar a polícia para denunciar uma suposta violência.
Até que haja decisão judicial definitiva, os envolvidos são considerados inocentes perante a Justiça.
Fonte: noticiastudoaqui.com