Violência cresce enquanto Governo deixa de investir R$ 39 milhões na segurança por falta de gestão




No ano passado, Governo do Estado deixou R$ 39 milhões “criando teia de aranha” numa gaveta do Palácio Rio Madeira; dinheiro veio do Fundo Nacional de Segurança Pública, mas gestor foi “incompetente” para aplicar recursos

Porto Velho ocupa uma posição crítica, entre as vinte cidades mais violentas do mundo, segundo o ranking anual divulgado por uma instituição mexicana especializada em segurança pública. Mas essa preocupante posição da capital rondoniense “não é motivada por falta de dinheiro, e sim, por um profundo descaso por parte do atual Governo do Estado”.

É o que declarou o promotor por mais de 20 anos e ex-prefeito de Porto Velho, candidato a governador pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, ao lembrar que o Governo do Estado “deixou trancados em alguma gaveta do Palácio Rio Madeira mais de R$ 39 milhões em recursos federais destinados à segurança pública de Rondônia no ano passado”. Na avaliação do ex-promotor, os índices de violência em Rondônia poderiam estar sob controle se o governo tivesse investido os recursos destinados ao combate à criminalidade.

Segundo estudo recente do Tribunal de Contas do Estado, o dinheiro foi repassado pela União, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública, como acontece todos os anos. “Poderia ter sido utilizado na melhoria do policiamento, na compra de armas e equipamentos, no investimento em novas tecnologias de segurança ou no aumento do sistema de vigilância na área rural, mas a administração estadual não moveu uma palha”, declarou Hildon.

“O dinheiro estava disponível, mas ficou parado de janeiro a dezembro. Resta saber o motivo”, questionou Hildon Chaves. “Não sabemos o que aconteceu, porque o governo não revelou”, disparou. “O mais preocupante é saber que a nossa capital registra índices alarmantes de violência, o que motivou mais um protesto de comerciantes em nossa capital nesta segunda-feira”, denunciou Hildon.

O levantamento internacional, que avalia as 50 cidades com as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes, inclui apenas os municípios com mais de 300 mil habitantes e é realizado anualmente em todo o planeta. O estudo aponta motivos para a violência, como a presença do narcotráfico em regiões de fronteira. “Mas a paralisia da administração pública no nível que está acontecendo parece ser um caso bem específico de Rondônia”, ironizou Hildon.

DINHEIRO DEVOLVIDO



De acordo com o Tribunal de Contas, o Governo de Rondônia usou apenas R$ 6,1 milhões, de um total de R$ 46 milhões ao qual tinha direito, e no final do ano devolveu R$ 39 milhões aos cofres do governo federal. Segundo o levantamento, os repasses da União para a segurança pública de Rondônia, feitos pelo Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), tiveram um aumento considerável, de 33%, entre 2022 e 2025.

No entanto, o Governo do Estado andou no caminho inverso: a utilização dos recursos, que chegou a 93,2% em 2022, caiu para 73,0% em 2023, diminuiu para 52,9% em 2024 e, por incrível que pareça, chegou a apenas 13,2% em 2025. “Isso significa que, de cada R$ 100 disponíveis na conta do Estado, apenas R$ 13 viraram policiamento, equipamento ou proteção real no ano passado. Os outros R$ 87 ficaram parados, no mesmo ano em que a violência crescia no estado”, comparou Hildon Chaves.

EXPERIÊNCIA



Hildon Chaves conhece a realidade do combate à criminalidade de perto. Durante mais de duas décadas, como promotor de Justiça, enfrentou o crime organizado, atuando em centenas de julgamentos, ajudando a colocar criminosos atrás das grades e atuando sempre ao lado da sociedade.

“Segurança pública exige comando, planejamento e decisão. Exige integração entre as polícias, inteligência, tecnologia, investimento permanente e valorização de quem arrisca a própria vida para proteger a nossa”, detalhou. “Hoje, muitos policiais seguem na linha de frente enfrentando o perigo todos os dias, muitas vezes com estrutura insuficiente. Eles merecem respeito e valorização. Necessitam ter condições para cumprir a sua missão”.

Para Hildon, Rondônia precisa urgentemente voltar a enfrentar o crime com firmeza. “O Estado necessita de um governo que lidere essa luta, fortaleça as forças de segurança e devolva às famílias o direito de viver sem medo”, declarou. “Chegou a hora de fazer da segurança pública uma prioridade. Porque um povo só é verdadeiramente livre quando pode viver em paz”, sentenciou.

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