13 mil de pontos de exploração sexual nas estradas do Brasil expõem a omissão do poder público no combate ao crime




O Brasil continua convivendo com uma das mais graves violações dos direitos humanos de crianças e adolescentes. Levantamento divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), por meio do Projeto Mapear 2025/2026, identificou 13.758 pontos vulneráveis à exploração sexual infanto juvenil ao longo das rodovias federais do país. Embora os indicadores apontem redução na quantidade de locais classificados como críticos, os números revelam que o problema permanece disseminado e desafia a capacidade do Estado de proteger suas vítimas.

O mapeamento, realizado em parceria com a Childhood Brasil, identificou postos de combustíveis, hotéis, motéis e estabelecimentos comerciais situados às margens das rodovias com características que favorecem a ação de criminosos. Entre os locais catalogados, 452 foram classificados como de risco crítico e 1.858 como de alto risco, demonstrando que milhares de crianças e adolescentes ainda permanecem expostos à ação de redes de exploração sexual em diferentes regiões do país.

Os dados escancaram uma realidade que vai além da repressão policial. A exploração sexual de menores está diretamente associada à pobreza, à vulnerabilidade social, à evasão escolar, à desestruturação familiar e à ausência de políticas permanentes de proteção à infância. Trata-se de um crime que frequentemente se conecta ao tráfico de pessoas, à corrupção de menores e a formas contemporâneas de submissão e exploração humana, exigindo uma resposta muito mais ampla do que operações esporádicas de fiscalização.

Embora a PRF mantenha, desde 2003, o Projeto Mapear como ferramenta de inteligência para identificar áreas vulneráveis e orientar ações preventivas e repressivas, especialistas apontam que o país ainda carece de uma estratégia nacional robusta, integrada e permanente para enfrentar o problema em sua origem. O próprio levantamento demonstra que a exploração sexual tem migrado para ambientes digitais e se tornado mais sofisticada, exigindo atuação coordenada entre forças de segurança, assistência social, educação, saúde e sistema de justiça.

image.png


Nos últimos dois anos, a Operação Domiduca, realizada pela PRF, fiscalizou mais de 16 mil pontos vulneráveis e possibilitou o resgate de 111 menores de idade. Apesar da relevância das ações, os números evidenciam a dimensão do desafio diante de um universo de milhares de locais considerados propícios à prática criminosa.

A permanência de mais de 13 mil pontos de risco em rodovias federais demonstra que o enfrentamento da exploração sexual infantil ainda está longe de ser vencido. Enquanto o país avança na produção de diagnósticos e no uso de tecnologias de monitoramento, cresce a cobrança para que governos, em todas as esferas, transformem informações e estatísticas em políticas públicas efetivas, capazes de prevenir o aliciamento de crianças e adolescentes antes que se tornem vítimas de um dos crimes mais perversos da sociedade brasileira.

A existência de milhares de áreas vulneráveis, mais de duas décadas após a criação do Projeto Mapear, reforça a necessidade de ações permanentes de proteção social, fiscalização, educação e geração de oportunidades para romper o ciclo que alimenta essa violência silenciosa nas estradas do país.

Fonte: noticiastudoaqui.com



Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

Noticias da Semana

Veja +